O fantasma da evasão escolar

por Bianca Barros

Não é de hoje que se ouve falar sobre crianças e — principalmente — jovens abandonando os estudos. A evasão escolar é um problema grave no Brasil que data de muitas décadas e está sempre em discussão, principalmente entre aqueles que se esforçam para contornar tal obstáculo, como os profissionais da educação e de Direitos Humanos.

De acordo com o Censo Escolar realizado entre 2014 e 2015 pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), a maior taxa de evasão escolar é durante a 1ª série do ensino médio.

Gráfico evasão escolar

Segundo a Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), entre os 100 países com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), em 2013 o Brasil exibia a 3ª maior taxa de abandono escolar.

Na cidade de Juiz de Fora, o cenário também não é dos mais otimistas. Gabriel Quetz, de 21 anos, é um dos exemplos dessa realidade. Aluno da Escola Estadual Presidente João Pinheiro, cursou o ensino fundamental e apenas o primeiro ano do ensino médio, em 2016. “Eu precisava trabalhar para ajudar em casa e acabei perdendo o incentivo que a escola poderia me trazer naquele momento”, relata.

O pai do rapaz também contribuiu para sua decisão de abandonar os estudos, sendo a favor de que Gabriel trabalhasse, visto que a situação em casa não era das melhores. A mãe, apesar de pensar no futuro do filho, também acabou acatando a escolha. “Minha mãe foi mais pro lado emocional e quis que eu ficasse, mas eu prometi a ela que ainda volto e termino a escola, nem que seja pelo EJA”, Gabriel afirma.

Contudo, a situação financeira não é o único fator que influencia na crescente taxa de evasão escolar. Darílio Freitas é professor na Escola Municipal Doutor Antonino Lessa e conta que a dificuldade de aprendizagem também é um gatilho para que o aluno desista dos estudos. Segundo ele, a má formação e o descompromisso de alguns profissionais da educação acarreta em uma defasagem no que se diz respeito a estimular os educandos externamente. Não havendo tal estímulo, diante da menor dificuldade, a saída de muitos jovens é abandonar os estudos.

Darílio conta que, como uma das formas de combater o problema do abandono escolar, as escolas municipais apresentam em algumas situações um professor de apoio, o qual tem a responsabilidade de acompanhar alunos com necessidades especiais quanto à aprendizagem. Ainda assim, o docente finaliza dizendo que, apesar dos muitos projetos existentes, o poder público deixa a desejar.

A “Onda Coreana” chega ao Brasil

por Bianca Barros

O korean pop, popularmente conhecido como k-pop, é um gênero musical que vem ganhando cada vez mais força ao redor do mundo. Originado na Coreia do Sul, ele existe há décadas, mas sua explosão em escala global começou a acontecer há pouco.

Um dos maiores exemplos disso é o grupo Bangtan Sonyeondan, ou simplesmente BTS. Os sete rapazes fizeram, no último fim de semana, seu primeiro show em um estádio dos Estados Unidos, com 40 mil ingressos vendidos. Nas últimas duas premiações da Billboard, venceram o prêmio de Top Social Artist, além de se apresentarem na edição deste ano do evento.

Juiz de Fora não fica imune à Hallyu — expressão que significa Onda Coreana, um neologismo referente à popularização mundial da cultura sul-coreana. Pelas ruas da cidade e pelo campus da UFJF, é possível identificar muitas pessoas usando camisetas, moletons ou acessórios com os nomes e símbolos de seus grupos preferidos.

Para Jhulia Caballero, estudante de Jornalismo e fã do gênero musical, tamanho sucesso se dá pela qualidade, “já que são treinados desde muito novos e de forma rígida”. Com isso, os idols, como são chamados os integrantes dos grupos de k-pop, dominam e se destacam em várias esferas: vocal, rap, dança e carisma.

Gabrielle Tenório, de 19 anos, acompanha seus grupos preferidos desde 2016, por meio das mídias sociais e do Youtube — assim como a maioria dos fãs. A estudante de Psicologia enxerga o k-pop como “uma alternativa para aqueles que não estavam mais satisfeitos com o pop mainstream, que é dominado pelos EUA”.

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O grupo Monsta X em seu show no Brasil, em agosto deste ano. (Foto: Reprodução)

Contudo, a música não é o único atrativo que a cultura sul-coreana oferece. A vestibulanda Fernanda Woycick conta que os doramas (novelas e séries coreanas) também a atraem, “assim como a culinária e costumes, bem diferentes dos do Ocidente”. Gabrielle, por sua vez, diz que começou a se interessar também pela língua coreana. “Aprendi, com o auxílio da internet, a ler o alfabeto deles (o hangul) e hoje em dia tenho muita vontade de fazer algum curso para realmente ser fluente”, explica.

Apesar disso, muitas pessoas ainda são resistentes ao k-pop e à Coreia do Sul como um todo, resultado da grande influência do Ocidente — principalmente dos Estados Unidos — no que diz respeito ao tipo de conteúdo que consumimos. Fernanda acredita que, para quebrar isso, é necessário que as produções sul-coreanas, assim como informações gerais sobre a cultura e o país, continuem sendo divulgadas. É preciso “desconstruir a ideia de que só as coisas que vêm dos EUA são as de alta qualidade e entender que todo canto do mundo tem algo legal para oferecer”, completa Jhulia.

A importância do movimento

por Bianca Barros

Não é segredo para ninguém que a realização de uma atividade física faz bem para o corpo em vários sentidos. Segundo uma pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2015, 37,5% dos brasileiros se envolveram com a prática de algum esporte pelo menos uma vez.

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) é um dos lugares da cidade que recebe, todos os dias, praticantes de algum tipo de exercício físico. O mais comum entre eles é a corrida. Pessoas de todas as idades podem ser vistas pelo campus, contornando o anel viário em suas roupas esportivas, muitas vezes com fones de ouvido, correndo em grupo ou sozinhas.

Juiz de Fora comporta, anualmente, uma vasta programação de corridas de rua, como a tradicional Corrida da Fogueira, ou a Corrida Duque de Caxias, que completou sua 31ª edição neste ano. O autônomo Murilo Rodrigues coleciona medalhas das mais diversas competições, já tendo alcançado a marca de 32 participações em corridas de rua. Praticante do esporte há cinco anos, ele relata que gosta de correr sozinho, apesar de conhecer alguns grupos de corrida da cidade.

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Quadro de medalhas do atleta Murilo Rodrigues. (Foto: Acervo pessoal)

Os motivos pelos quais se inicia a prática de tal atividade física são diversos, variando de pessoa para pessoa. Murilo conta que sempre gostou de se mexer e, no passado, jogava futebol, mas devido a uma lesão não pôde mais se dedicar ao esporte. “Eu sabia que existiam corridas de rua na cidade, então me inscrevi uma vez e gostei. De lá para cá, não parei mais”, relata.

Bárbara Silva, por sua vez, começou a correr em sua época de vestibulanda. O exercício funcionava como uma válvula de escape para controlar a ansiedade, fruto de todas as preocupações com o ainda incerto futuro. Hoje, a estudante de Biologia mantém o bom hábito, correndo na própria Universidade sempre que possível. “Quando tinha 19 anos, participei da corrida Speed of Sound, ficando em primeiro lugar na minha categoria nos 10 quilômetros”, ela relembra.

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Bárbara Silva no pódio da Speed of Sound. (Foto: Rumo Certo)

Ambos concordam que a corrida trouxe mudanças significativas em suas vidas. “O corpo fica mais saudável, você não se cansa fácil. E psicologicamente, nem se fala!”, Murilo aponta, explicando que a atividade física o faz esquecer dos problemas. Bárbara conta que, além do condicionamento físico, seus sentimentos positivos também aumentaram, assim como sua autoestima.

Murilo, que já chegou a participar até mesmo de uma São Silvestre, uma das corridas mais tradicionais do país, com 15 quilômetros de percurso, indica a todos a prática do esporte. “A corrida [São Silvestre] é indescritível. 30 mil pessoas, você faz amizade com gente do Brasil e do mundo inteiro”, diz.

O calendário de corridas de rua de Juiz de Fora ainda promete mais duas competições para o ano de 2018, a 6ª Corrida Solidária da ASCOMCER, no dia 21 de outubro, e a 4º Tecnobit Night Run, que acontece na noite de 24 de novembro.

E você, vai ficar parado?

Bitcoin: uma tecnologia revolucionária

por Bianca Barros

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Você já ouviu falar nas criptomoedas? Consideradas o dinheiro do futuro, as moedas digitais surgiram para desafiar as grandes instituições e proporcionar maior liberdade. Trata-se de um modelo capaz de utilizar a criptografia para garantir a segurança, que só é possível graças a uma tecnologia conhecida como Blockchain. Além disso, compreende transações internacionais a taxas muito menores que moedas tradicionais.

O Bitcoin foi a primeira criptomoeda a ser lançada, permanecendo como a mais popular do mercado até os dias de hoje. Um dos principais motivos para tamanho sucesso foi a “valorização exorbitante que ocorreu nos sete primeiros anos, saindo de centavos até alcançar 70 mil reais em sua maior alta em dezembro de 2017”, segundo Mário Fábio Titoneli, investidor e entusiasta. Atualmente, um Bitcoin equivale a aproximadamente 27 mil reais.

Infográfico Bitcoin

Lucas Costa se formou em Economia pela UFJF e desenvolve sua pesquisa de mestrado na área. Além disso, dá cursos e palestras sobre o tema e ajuda a coordenar um projeto de Blockchain na Universidade. Para ele, a popularização do Bitcoin está associada à “capacidade libertadora e de confiança da tecnologia Blockchain”. Titoneli concorda, afirmando que a técnica é revolucionária e “pode vir a transformar toda a segurança tecnológica como a conhecemos, tornando as transações mais simples e seguras”.

O Banco Central do Brasil é apenas uma entre as instituições financeiras ao redor do mundo que têm demonstrado interesse pela utilização da Blockchain em transferências interbancárias. Ela funciona como um livro-caixa de todas transações já efetuadas, as validando e impedindo que fraudes aconteçam enquanto protege a privacidade dos usuários.

Rafael Pontes, assim como Mário e Lucas, conheceu o Bitcoin através da internet. Posteriormente, se aprofundou no assunto através de um dos maiores entusiastas do Bitcoin no Brasil, Fernando Ulrich. Rafael investe desde o final de 2015 e conta que começou como um experimento, a fim de tentar entender a dinâmica do mercado. “Acabei me apaixonando e me aprofundando, lendo, desenvolvendo pesquisas e ministrando palestras”, explica.

O Bitcoin, ainda que diferente, é usado para a mesma finalidade que qualquer outra moeda, seja ela virtual ou não. Com ele, pode-se adquirir tanto serviços quanto bens pela internet, além de o mesmo poder ser trocado por dinheiro tradicional.

Apesar de promissor, é preciso cautela na hora de investir. Antes de qualquer coisa, o recomendado é estudar a fundo sobre o assunto, visto que “quando não se conhece o mercado, é muito fácil perder com as flutuações de preço”, alerta Lucas. A consciência de que é um negócio arriscado e volátil é essencial. Rafael aconselha que só se deve investir aquilo que não faria falta caso perdesse. “Conhecendo seu limite de exposição ao risco, pode ser muito vantajoso”, completa.

Os impactos da Festa Alemã na economia juiz-forana

por Bianca Barros

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Pórtico de boas-vindas da Festa Alemã 2018. (Foto: Bianca Barros)

Considerada patrimônio histórico de Juiz de Fora, a Deutsches Fest – Festa Alemã, está em sua 24ª edição e celebra os 160 anos da imigração dos povos germânicos na cidade. Até o dia 23 de setembro, o público poderá conhecer um pouco mais da cultura alemã por meio de danças, músicas folclóricas, comidas típicas e, é claro, muito chopp.

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Público presente no começo da tarde de sábado, 15/09. (Foto: Bianca Barros)

Com a presença de cervejarias artesanais, minirrestaurantes e boxes de artesanatos, a expectativa é que o evento receba 70 mil visitantes. Mas qual a contribuição dos 11 dias de festa para a economia juiz-forana?

Claudio Barrocas conta que a Cervejaria Antuérpia, onde trabalha, já marca presença na Festa Alemã há cinco anos, sendo dois deles como patrocinadora oficial. Segundo ele, o evento é ideal para a divulgação de novos estilos de cerveja, uma vez que a marca já é consolidada na região. Ainda assim, Claudio afirma que a festa faz muita diferença quanto às vendas.

Há quem use o evento como um impulso para que novos negócios ganhem mais visibilidade, expandindo as vendas. O Prost! Pub, por exemplo, abriu há menos de um ano e faz sua estreia na Deutsches Fest. O mais interessante para o estabelecimento é que as pessoas tomem conhecimento do novo ponto na cidade. “O intuito mesmo é divulgar o bar, porque ele é novo, e na Festa Alemã vem gente da cidade toda, de fora também, então ajuda bastante”, explica Tatiane Gerhardt, uma das funcionárias do local.

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Funcionários do Prost! Pub no boxe do bar na Festa Alemã. (Foto: Bianca Barros)

Os artistas da Risco no Disco também usam o evento como estratégia de divulgação dos produtos artesanais produzidos por eles, feitos a partir de discos de vinil. “O pessoal não conhece, então a gente está indo agora onde tem mais movimento para divulgar nossa loja”, diz a artesã Laura Passos.

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Laura Passos exibe as peças que ajuda a produzir. (Foto: Bianca Barros)

A Festa Alemã também é uma excelente oportunidade para empreender. Marcelo Battistini não é natural de Juiz de Fora, mas mora na cidade há 20 anos e se identifica bastante com a cultura alemã. Na edição deste ano, teve a oportunidade de tomar a frente da Barraca Neuschwanstein, onde vende as tortas Munck Schaeffer. “Eu estou utilizando a barraca como um termômetro, para ver se abro ou não um restaurante com o meu sócio”, conta. Segundo ele, o feedback por parte dos clientes tem sido positivo tanto em relação ao atendimento quanto à qualidade das tortas.

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A barraca Neuschwanstein se destaca entre as demais por sua decoração diferenciada. (Foto: Bianca Barros)

Com a vinda de diversos visitantes, o mercado do turismo também lucra. O Grupo Folclórico Bergfreunde de Campinho, da cidade de Domingos Martins, no Espírito Santo, participa da festa há cinco anos. Em todas as vezes, ficaram hospedados em hotéis da região. Os dançarinos ainda aproveitam a viagem para fazer compras e conhecer mais da cidade.

Na edição de 2017 da Festa Alemã, 67 municípios de seis estados diferentes marcaram presença. Este ano, a expectativa dos organizadores do evento é que esse número aumente, seguido por um crescimento também do faturamento total. Em entrevista para a Tribuna de Minas, Sacio Del Duca, coordenador geral da festa, afirmou que “o evento já rompeu os muros do Borboleta, da cidade e do estado”.