Las Manas dá voz ao hip-hop feminino de Juiz de Fora

Por Raissa Segantini

Juiz de Fora abriga uma infinidade de grupos culturais independentes. O Las Manas Gang é um bom exemplo disso: fazendo parte do movimento hip-hop e abordando questões femininas e feministas, o coletivo promove vários eventos. Dentre eles, há o fixo “Roda das Manas”, que acontece aos domingos quinzenalmente, em espaço público no centro da cidade, geralmente em frente ao Cine-Theatro Central.

A história da formação é recente. Tudo começou com uma ideia da MC Thainá Kriya, quando foi convidada a cantar no Ato Internacional do Dia das Mulheres, no dia 8 de março de 2017, no centro. Envolvida nessa programação, a MC de destaque na cidade resolveu fazer um mapeamento de cantoras e demais artistas do gênero em Juiz de Fora para “tirar do papel” o projeto. Dentre essas mulheres já estavam na formação inicial grandes nomes como Laura Conceição e Tatá Dellon.

“A cultura hip-hop trabalha com diversas modalidades: o DJ, o break, o Grafite e o MC e o quinto elemento é o conhecimento”, diz Tatá Dellon e complementa: “Nosso coletivo oferece conteúdo para essa demanda”. Essa contribuição vem justamente com as artes visuais, o rap, o slam e qualquer forma de expressão artística que dê voz à periferia, ao movimento negro e, principalmente, às mulheres.

Além das rodas de domingo, onde mulheres e também homens podem assistir ou se apresentar, as organizadoras do Las Manas também realizam alguns outros eventos como o “Rap de Mina” e as rodas de conversa. Isso quando não são convidadas para participar de algo, como aconteceu recentemente ao se apresentarem no XV Encontro Juizforano de Psicologia. É importante dizer, aliás, que mesmo não sendo da organização, todas as mulheres que participam das atividades são consideradas integrantes do Las Manas Gang.

Uma outra ação que promovem é a oficina nas escolas, que hoje atua na E.E. Francisco Bernardino e na E.M. Santa Cândida. Dessa iniciativa voluntária, saem talentos entre os alunos que chegam a ser reconhecidos fora da cidade, concorrendo em premiações de slam. Segundo Tatá, mesmo quando esses novos artistas não representam o coletivo, acrescentam de alguma forma valor ao mesmo: “Acabam indo por si mesmas a eventos de cultura hip-hop, mas sempre lembram do Las Manas e retornam com uma boa bagagem para contribuir”.

Instagram das “minas” apresenta mais informações sobre as programações. E abaixo também há fotos da rede social que mostram um pouco da vibe cultura de rua que o grupo traz, especialmente na “Roda das Manas”.

 

“O menino do morro virou Deus”: conhecendo o rapper RT Mallone

Por Guilherme Serafim

Dentro do âmbito musical, o rap sempre foi um movimento importante no cenário nacional, mas nos últimos anos tem ganhado ainda mais força e reconhecimento ao longo do território brasileiro. A cada dia que passa, vemos novos rappers iniciarem sua caminhada na música, buscando alcançar o sucesso através das mensagens que propagam em seus sons. E aqui em Juiz de Fora, não é diferente.

Hoje vamos conhecer um pouco da história e da trajetória de Vitor Alexandre Pereira, 23, o RT Mallone. Nascido e criado no bairro São Benedito – também conhecido como “Arado” -, na zona leste de Juiz de Fora, RT começou a se envolver no movimento hip-hop quando tinha 11 anos, num projeto social de dança que ocorreu em seu bairro. Fazendo hip-hop dance e break, Vitor começou a escrever suas primeiras músicas nessa época, e continuou apenas escrevendo até 2012, quando aos 17 anos conheceu o Encontro de MC’s. “Mano, o bagulho mudou minha vida assim, papo reto porque como eu já escrevia, eu sempre gostei de cantar, eu cantava em coral também quando era criança, então tipo foi uma parada que abriu muito a minha mente assim, para muitas coisas e o hip hop foi um caminho que se abriu na minha frente e eu tô seguindo ele até hoje”, lembra o rapper, que hoje é um dos maiores nomes do cenário na região.

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RT Mallone durante uma apresentação. (Foto: Arquivo Pessoal)

Tendo sua inspiração inicial no “rap gringo” (50 Cent, Ja Rule, Snoop Dog) e Racionais MC’s, considerados por muitos os maiores nomes da história do rap nacional, Mallone relembra que em meados de 2012, quando entrou no movimento, o rap estava passando por uma transformação: “Tava chegando uma galera mais nova, com as temáticas diferentes que era galera ali dos três temores, o Emicida, Rashid e Projota, a Terceira Safra. Foi uma escola muito de São Paulo, eu ouvia muita gente de lá como a Miriam XL, a galera da Artefato também, o Nego E. Don L um pouquinho depois. São pessoas que me influenciam até hoje”, conta.

RT destaca também que sua grande fonte de inspiração, o rapper Emicida foi o primeiro da nova geração a conseguir verdadeiramente lucrar com o Rap. “Emicida acho que foi o cara que eu mais imitei, posso falar assim, em questão de carreira, dele fazer as coisas no palco e o quanto ele cresceu tá ligado sempre achei isso muito forte…eles tinham muita um corre de fazer as próprias Mix tapes, ser um bagulho caseiro e ir vendendo de mão em mão.O Emicida na época vendeu mais de 10 mil Mix tapes de mão em mão tá ligado. Eu vi aquilo ficava perplexo…nessa de inspiração eu devo muito essa galera de São Paulo… na época o corre deles era insano”, finaliza contando como aquilo o influenciou, já que antes de lançar seu primeiro álbum, intitulado “Vendedor de Sonhos”, ele vendia a sua Mix tape produzida em casa, que era composta por cinco músicas, quatro delas que fazem parte do CD.

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Mallone com sua Mix Tape (Foto: Arquivo Pessoal)

Nascido e criado numa comunidade onde o movimento do tráfico é muito forte, Mallone conta que foi difícil ver amigos próximos tenderem para o lado do crime, diz que por pouco não seguiu o mesmo caminho e enfatiza a influência da música na sua decisão: “Eu tenho tipo um histórico de melhores amigos que entraram “nessa”, mas na família não. Minha família é uma família de gente muito humilde, muito trabalhadora…uma parada que me impediu bastante de não me envolver no crime foi a falta de disposição mesmo tá ligado, esse fato de exemplo assim, de não ter ninguém na família. Sempre foi uma parada que eu cogitei mano, não vou falar que eu não cogitei, eu sempre cogitei tá ligado, cheguei bem próximo, mas a música, o fato deu ter esse contato com a música mano, eu acho que salvou a minha vida assim, papo reto”, finalizou.

Antes funcionário de uma padaria, Vitor passou por várias dificuldades até conseguir se manter apenas com o retorno de sua música. Um dos versos de seu CD é “escrevi todos esses versos em papel de pão”. Mallone conta algumas dificuldades dessa época: “Pô esse verso do papel de pão é uma parada que realmente aconteceu porque eu era balconista e como não podia usar o celular, eu acabava escrevendo nos papéis que usava para servir as pessoas e tal… realmente era um corre muito doido mano, às vezes tinha que trabalhar virado porque eu passei a noite num evento tocando… às vezes fazia um evento lotado e voltava pra casa a pé porque sabia que aquela grana ia fazer falta, virava a noite produzindo CD pra vender no evento porque sabia que podia aumentar a renda vendendo… já saí do trabalho cansado e fui pro show direto, e aí tinha que ficar à base de energético pra ficar acordado porque não tinha tempo pra ensaiar, ficar descansado fisicamente e psicologicamente também… fazer música é um caminho difícil mano, mas é muito doido poder fazer uma parada que você ama e poder ver aquilo dando frutos tá ligado, incentivando outras pessoas mano, é meio compensador assim, tá ligado”, bradou.

No início da carreira, Mallone era apenas um admirador dos músicos que faziam parte da Artefato Produções. Hoje, ele tem o privilégio de compor o selo Artefato e cantar com quem antes ele via apenas como ídolo. “A Artefato foi aquele tipo de coisa que acontece sem você esperar, tá ligado. Antes de mim e da galera de 2012, o Brackes, a Thayná, o Marte, não tinha aqui em JF muita perspectiva de fazer essa parada virar, a gente achava que ninguém abraçaria o corre. A gente não achava que Marechal, Emicida viria aqui, olharia o nosso talento e ia falar “pô, vão bora fechar com nóis” e foi exatamente o que aconteceu com a Artefato. O Nego E ouviu um som meu, que era o “42” na época, em 2016, e ele curtiu bastante, pediu pra gente se aproximar mais e tal, até que ele me chamou pra participar do disco dele, o “Oceano”… a partir dali eu virei um contratado deles e pra mim isso é muito importante tá ligado, porque a gente não tinha essa perspectiva, ninguém acreditava que isso era possível tá ligado, e de repente um rapper da zona leste de Juiz de Fora consegue um contrato com um selo de São Paulo… é uma parada que agrega muito valor no meu nome artístico mas que me ajuda a continuar pensando positivo sobre o meu trampo também tá ligado. É bom para quem vê de fora mas também é bom para mim, quando eu olho no espelho, tá ligado”, disse.

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RT durante show realizado pela Artefato em Juiz de Fora. (Foto: Arquivo Pessoal)

O CD de RT Mallone, “Vendedor de Sonhos”, faz alusão ao vender o doce de padaria, que era a profissão dele até se dedicar exclusivamente à música, e também a vender os desejos no mundo, os sonhos de cada um. Por fim, Mallone deixa um recado para todos em relação ao que almejam.

Então, eu quero falar para todos mano que não é um caminho fácil tá ligado, ninguém tá te prometendo que vai ser fácil seguir seu sonho tá ligado, realmente é um caminho espinhoso, é difícil mas é muito prazeroso; é satisfatório a cada pequena conquista, você consegue ver aqui que a coisa tá andando para frente mano, e isso é muito satisfatório tipo a nível pessoal e para as pessoas que estão ao seu redor também. Então eu peço encarecidamente para quem vai ler, que mesmo sem me conhecer,  mesmo sem eu te conhecer, mas que você possa se conhecer e acreditar no que você está construindo, sabe?! Porque tipo, a gente tá aqui de passagem mano… você tem algo a cumprir, e eu duvido muito que seja algo que que você não goste, algo que você não sinta, tá ligado? Você tá aqui, você sente que tem uma missão, você quer fazer algo de bom, você quer fazer algo que a sua alma pede mano, acredita nisso, coloca sua fé nisso, se esforça mano, se esforça muito… é uma parada pra você, é uma parada que vai inspirar outras pessoas tá ligado, e a gente vai mudar o mundo dessa forma, inspirando pessoas, inspirando sonhos, então acredita em você, independente do que disseram, você é uma pessoa incrível, e você é capaz!”, frisou o jovem rapper, que segue inspirando e fazendo as pessoas acreditarem em si mesmas com sua música.

A “Onda Coreana” chega ao Brasil

por Bianca Barros

O korean pop, popularmente conhecido como k-pop, é um gênero musical que vem ganhando cada vez mais força ao redor do mundo. Originado na Coreia do Sul, ele existe há décadas, mas sua explosão em escala global começou a acontecer há pouco.

Um dos maiores exemplos disso é o grupo Bangtan Sonyeondan, ou simplesmente BTS. Os sete rapazes fizeram, no último fim de semana, seu primeiro show em um estádio dos Estados Unidos, com 40 mil ingressos vendidos. Nas últimas duas premiações da Billboard, venceram o prêmio de Top Social Artist, além de se apresentarem na edição deste ano do evento.

Juiz de Fora não fica imune à Hallyu — expressão que significa Onda Coreana, um neologismo referente à popularização mundial da cultura sul-coreana. Pelas ruas da cidade e pelo campus da UFJF, é possível identificar muitas pessoas usando camisetas, moletons ou acessórios com os nomes e símbolos de seus grupos preferidos.

Para Jhulia Caballero, estudante de Jornalismo e fã do gênero musical, tamanho sucesso se dá pela qualidade, “já que são treinados desde muito novos e de forma rígida”. Com isso, os idols, como são chamados os integrantes dos grupos de k-pop, dominam e se destacam em várias esferas: vocal, rap, dança e carisma.

Gabrielle Tenório, de 19 anos, acompanha seus grupos preferidos desde 2016, por meio das mídias sociais e do Youtube — assim como a maioria dos fãs. A estudante de Psicologia enxerga o k-pop como “uma alternativa para aqueles que não estavam mais satisfeitos com o pop mainstream, que é dominado pelos EUA”.

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O grupo Monsta X em seu show no Brasil, em agosto deste ano. (Foto: Reprodução)

Contudo, a música não é o único atrativo que a cultura sul-coreana oferece. A vestibulanda Fernanda Woycick conta que os doramas (novelas e séries coreanas) também a atraem, “assim como a culinária e costumes, bem diferentes dos do Ocidente”. Gabrielle, por sua vez, diz que começou a se interessar também pela língua coreana. “Aprendi, com o auxílio da internet, a ler o alfabeto deles (o hangul) e hoje em dia tenho muita vontade de fazer algum curso para realmente ser fluente”, explica.

Apesar disso, muitas pessoas ainda são resistentes ao k-pop e à Coreia do Sul como um todo, resultado da grande influência do Ocidente — principalmente dos Estados Unidos — no que diz respeito ao tipo de conteúdo que consumimos. Fernanda acredita que, para quebrar isso, é necessário que as produções sul-coreanas, assim como informações gerais sobre a cultura e o país, continuem sendo divulgadas. É preciso “desconstruir a ideia de que só as coisas que vêm dos EUA são as de alta qualidade e entender que todo canto do mundo tem algo legal para oferecer”, completa Jhulia.

Juiz de Fora e os teatros independentes

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Atrizes e atores do GTMG- Trilha e Cia

Por Caroline Crovato

Juiz de Fora foi considerada uma das cidades com maior número de teatros no Brasil, segundo o levantamento “Cultura em números”, realizado pelo Ministério da Cultura. Entretanto, alguns grupos de teatro da cidade, principalmente os menores, sempre ficaram distantes dos grandes espaços por questões que dificultam a ocupação, como o valor de aluguéis e carência de estruturas básicas. Entretanto isso já começa a ser mudado por aqueles que buscam alternativas em espaços menores e independentes.

O teatro agora não é encarado da mesma forma que antes: se antes existiam poucos lugares em Juiz de Fora com capacidade de comportar mais de 500 pessoas para apresentações teatrais, nos dias de hoje há um monte de espaços pequenos que não buscam somente por público de teatro, mas sim de diversas outras linguagens.

O “Espaço Compartilha”  é um exemplo de umas dessas “explosões” em Juiz de Fora. Localizado na Barão de Santa Helena, número 229, no Bairro Granbery, o espaço foi alugado há mais de 18 anos para abrigar o antigo “Empório da Arte” e ser, ao mesmo tempo, a sede da companhia. Somente em 2017 o Espaço Compartilha passou a existir como um local que preza pelas múltiplas linguagens ao reunir sala de ensaios, criação para teatro, danças – desde ballet artístico à dança de salão -, atelier de figurinos, exposições, apresentações de companhias e um aconchegante café para momentos de reflexão durante as atividades.

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Bárbara Heredia é atriz de um dos grupos de teatro que utilizam o Espaço Compartilha: o GTMG – Tralha e Cia, fundado em 1994. Bárbara, além de artista, também administra o espaço junto com Alexandre Guttierrez, diretor do GTMG. Ela explica que, atualmente, adotam no Espaço um formato bem parecido com o de coworking: nova forma de pensar o ambiente de trabalho que reúne pessoas de diferentes áreas a fim de trabalhar em um ambiente inspirador e autônomo. Bárbara ressalta que o local é aberto a aluguel de salas e escritórios, podendo receber um gama de eventos desde reunião com colegas a congressos, feiras e palestras. Por ser gerida por dois artistas do GTMG, tentam manter a casa mais conectada com estas formas de expressão deixando sempre vivo no espaço a mescla de linguagens, servindo de alternativa para aqueles que fazem o trabalho independente.

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Alguns outros espaços independentes em Juiz de Fora são a “Sala de Giz”, que também prezam pela expressividade do teatro, dança, cultura, performance e  da música. “OAndarDeBaixo” também é outro espaço que serve como palco do teatro, da música, de oficinas artísticas e até mesmo das artes visuais com sua pequena galeria.

Ao ser perguntada, enquanto uma integrante do grupo, sobre as dificuldades que os artistas encontram para achar lugares de ensaio e apresentação em Juiz de Fora, Bárbara reforça a necessidade de zelar pelo modo de vida que escolheram trabalhar e buscar que a atividade seja desenvolvida sempre da maneira mais consciente e responsável possível. “Precisamos nos fortalecer enquanto classe, e esta é uma ótima ferramenta para ganharmos sempre cada vez mais força. A dificuldade para encontrar locais ainda é uma realidade muito presente na nossa cidade, mas com a abertura de espaços independentes creio que vem surgindo boas saídas para amenizar esta questão”.

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Equipe GTMG

De forma independente, artistas juiz-foranos trilham seu caminho rumo ao sucesso

Juiz De Fora dispõe de um grande número de talentos em várias áreas, como cantores, bandas, atores, atletas e jornalistas.Na cidade, encontramos inúmeras casas de shows, o Cine-Theatro Central recebe grandes nomes da música nacional brasileira.

Alguns artistas conseguiram de forma gradual o seu reconhecimento e destaque no cenário musical. De uma forma mais independente, trabalham para que, mesmo encontrando alguns obstáculos, seus projetos não caiam por terra.

Richarles Jesus dos Santos é produtor de suas bandas, trabalha também como designer gráfico e mora em Juiz De Fora. Vocalista das bandas Glitter Magic e Glory, Rhee, como gosta de ser chamado, conta que a Glitter Magic tem bastante repercussão na imprensa, pois quando lançaram seu primeiro CD, tiveram um destaque muito grande no circuito underground. Uma surpresa para os integrantes da banda foi a repercussão que tiveram na Europa e na Ásia, “quando lançamos nosso CD tivemos um alcance legal nesses continentes. Após um mês do lançamento nossa página no Facebook aumentou em 23 mil curtidas, muita gente na Jordânia se interessa pelo nosso trabalho. “,conta Rhee.

O rap também vem ganhando grande destaque no cenário musical da cidade. Brackes Mallone – O filho prodígio, iniciou sua carreira no ano de 2012. Brackes Mallone teve seu maior destaque nas calorosas e agora famosas batalhas de MC’s, onde ganhou várias edições, alguns troféus importantes e virou um ícone no movimento de Hip Hop da cidade, o Encontro de MC’s.

Um ano depois, foi organizador e mestre de cerimônias do projeto de hip hop nas escolas, o Educarte. Seguiu durante dois anos, sendo um importante momento para desenvolvimento da habilidade de se apresentar.

Realizou muitas participações no cenário do hip hop e teve uma música campeã em um festival realizado pelo Coletivo Vozes da Rua, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas.

Dividiu palco com grandes nomes da cena como  MC Marechal, RT Mallone, Aice NP, Silva Soul, Rapadura, entre outros como um dos ícones do segmento, Gabriel, o Pensador. Quatro anos depois, passando por alguns grupos de RAP: Conscientize, OtraSoma e SBSETE, Brackes Mallone retorna à carreira solo e lança duas mixtapes no ano de 2018. Sendo elas, “Parte I – Entre a Luz e o Caos” e “Parte II – O Filho Prodígio” e com planos de completar a trilogia com uma nova mixtape para o final do ano de 2018 ou início de 2019.

Foto: J.P. Brum

Água para a sede de um bom espetáculo

Por Lucas Galhardo

A equipe sênior dos contadores de história do Granbery estreou a nova peça “Água da minha sede”. O espetáculo anual trata, nessa edição, da água como cura para diversos tipos de sede e é composto por textos que remetem às sedes e à maneira como saciamos ou como lidamos com a impossibilidade de saciá-las. Esta sessão de histórias propõe à plateia recriar as ideias lançadas pelos contadores, para compreender e acompanhar a história que está ouvindo e experimentando.

Segundo a coordenadora do projeto, professora Laura Delgado: “Em algum momento da vida nos perguntamos sobre decisões a serem tomadas e caminhos a seguir, qual o sentido de certas coisas inexplicáveis, como realizar os sonhos mais secretos. Nesta temporada, ao contarmos juntos, para nós, contadores, e para nossas plateias, as histórias serão um momento de diálogo com estas e com outras tantas perguntas”.

Há 21 anos foi criado, no Instituto Metodista Granbery, um trabalho pioneiro nas escolas do Brasil. Trata-se das Oficinas para Formação de Contadores de Histórias. Estas oficinas têm como objetivo principal a formação do leitor, através da leitura em suas múltiplas dimensões e de sua preparação para a arte de narrar.

As apresentações acontecerão, às 20h, nos dias 29 e 30 de setembro, no auditório Elaine Lima da instituição. As apresentações dos Contadores de Histórias do Instituto Metodista Granbery são gratuitas.  Os ingressos deverão ser retirados uma hora antes do início da sessão, no Granbery.

Em tempos de streaming, fãs declaram amor pelos vinis

Por Gabriella Almeida

Apesar do aumento do público engajado nas músicas digitais, mídia física é bastante procurada por público que busca alternativa à tecnologia

O povo brasileiro, conhecido por sua espontaneidade e felicidade, leva o ditado popular “quem canta seus males espanta” muito a sério. Os diversos gêneros musicais estão presentes no cotidiano de grande parte da população, seja através de fones de ouvido, na televisão, no rádio, e mesmo em propagandas.

Essa paixão e tradição musical tornam o Brasil um grande consumidor de produtos referentes ao universo da música. Segundo dados do Music Business Worldwide, em 2016, as plataformas de streaming de música ultrapassaram o número de assinantes daquelas voltadas a produções audiovisuais, como a Netflix. Essa mudança na forma de consumo vem colaborando para que dispositivos como vinis, fitas cassetes e CDs se tornem itens desejados por um público mais restrito, os colecionadores e admiradores da mídia física.

Maicon Cesca, gerente do Museu do Disco da cidade de Juiz de Fora, afirma que dois públicos procuram constantemente seu estabelecimento: as pessoas que foram acostumadas a um “mundo analógico” e sempre se interessaram por discos e vinis e, nos últimos cinco anos, um público mais jovem.  “Nosso público tem crescido bastante nos últimos 5 anos. Muita gente jovem, em razão da cultura vintage, procura discos de vinil para escutar em casa”, afirma.

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Museu do disco oferece grande variedade de vinis. Foto: Gabriella Almeida

Ele também ressalta que o crescente sucesso dos LPs está atrelado a uma cultura mais antiga, a de fãs que acompanham a vida e carreira dos artistas. Para ele, a cultura da música atualmente é muito descartável, e artistas que fazem sucesso hoje podem já não ser interessantes no próximo mês. “Até os artistas são descartáveis. ‘Entra’ um e já aparece outro. Hoje tudo é mais comercial, as pessoas não acompanham muitos artistas, não procuram produtos de bandas…”, diz.

Vinil é arte

Fã de música e colecionador de vinis, Pedro Paiva também é DJ e um dos fundadores do coletivo ‘Vinil é arte’. O coletivo é um projeto criado por ele em parceria com os DJs Snup-in, Tuta e NGS. O que motivou a criação do ‘Vinil é arte’ foi a vontade de dividir as descobertas musicais dos discos com um público além do círculo de amizade. “O objetivo era mostrar que a cultura do vinil é uma forma de arte. Mostrar que o DJ pode ser mais do que alguém que seleciona sucesso, ele cria narrativas musicais como uma autêntica expressão artística”, afirma.

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Pedro, um dos representantes do coletivo ‘Vinil é Arte’ toca em festas de Juiz de Fora. Foto: Facebook

Além dos eventos em que toca com seus parceiros do ‘Vinil é Arte’, Pedro e os outros DJs produzem festas com amigos de outras cidades e que também utilizam os vinis em seus trabalhos. Segundo ele, isso oferece uma circulação de diferentes estilos na cidade. Apaixonado pelo mundo da música, Pedro Paiva também consegue espaço para organizar a Feira de Discos de Juiz de Fora, um evento que reúne ‘amantes da boa música’ e oferece uma experiência que permite o contato com a “verdadeira cultura do vinil”.

Tecnologia x discos

Enquanto os CDs e as plataformas de vendas de músicas vêm perdendo espaço para as plataformas de streaming, os vinis se encontram em uma situação diferente. A tendência no aumento da procura por esses discos se tornou um fenômeno global, de forma que, após mais de vinte anos, a Sony, uma grande empresa do ramo musical, voltou a produzir discos de vinil.

O colecionador Alexandre Polito disse que escuta vinis desde sua infância e, recentemente, decidiu voltar com o hábito de ouvir música a partir dessa produção física porque é uma fuga da tecnologia que lida diariamente. “Os vinis são muito bons, porque o mundo de hoje está tão digital, e eu já me cansei desse mundo digital, quero fugir dele”, diz. Ele também ressalta que esteve presente na Feira do Disco, gostou muito da iniciativa e ainda reitera que a cidade precisa de mais iniciativas como essa, que incentivem os vinis que foram e ainda são importantes para uma parte da população.

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Alexandre observa a vasta coleção do Museu do Disco. Foto: Gabriella Almeida

 

 

A poesia se torna popular entre os jovens

Por Hugo França

Em tempos que se percebe menos interesse pela literatura, principalmente entre os jovens, alguns vem na contramão de tudo isso, fazendo questão de colocar no papel suas paixões, desejos e frustrações em forma de poesia.

Não precisamos ir tão longe para encontrar quem escreve suas poesias de forma independente. Hugo Ribeiro, estudante da UFJF, escreve sobre o cotidiano, amores, dores, anseios e desejos, tudo em forma de poesia. A cidade de Juiz de Fora oferece espaços para que o jovem estudante exponha seu trabalho. Confira a entrevista feita com o jovem poeta e mergulhe nesse  universo que só a literatura proporciona.

CD: Quando surgiu o gosto pela poesia?

Hugo:  A poesia me surgiu como um amigo que a gente faz sem aviso prévio. Nada disso. Surgiu, na prática, como um amigo de longa data — porém ameno— com o qual nos habituamos a conversar apenas coisas sobre a vida cotidiana e que, por algum deslize existencial (ou overdose de entorpecentes, como bons livros), passamos a confessar pulsões de delírio, amores bandidos, penas de morte, quedas de abismo, flores invisíveis e, dada a confiança confessional que adquirimos, passamos a querer perto, para sempre —até que ele saiba mais do que deveria. Como acredito que nem toda poesia nasce da amargura, prefiro dizer que meu gosto pela poesia surgiu desde que adquiri coragem para escalar o abismo em que haviam me abandonado, quando nasci.

CD: Qual o tipo de poesia mais lhe atrai?

Hugo: De toda poesia, prefiro aquela que me olha nos olhos, independente da sua gravidade. Percorro, todos os dias, o caminho que vai do Vale do Medo até Arcádia.

CD: Você tem algum método específico para escrever?

Hugo: Como todo bom poeta, sou um método. Se fundamenta no estabelecimento de uma distância segura da escrita, como um mendigo que, para fazer com que seu cão retorne, o ignora. Além disso, muita água, paciência, coragem e um guardanapo, para limpar a boca.

CD: Quais os lugares onde você se apresenta/expõe o seu trabalho? Pode me contar sobre algum deles?

Hugo: Já expus meu trabalho de poeta em vários lugares fechados, inclusive uma vez em um colégio municipal, que me traz graciosas e trêmulas lembranças. Dos lugares fechados, os mais abertos, por favor. Onde mais me apresentei foi em alguns bares da cidade, já que o medo do ouvinte pode ser remediado pelo álcool, e a ousadia do poeta pode se tornar um fetiche (vez ou outra). Saraus, algo nisso me aborrece, talvez o semitismo que precede a comunhão.

CD: Qual seu conselho para jovens poetas como você?

Hugo: Morram. Não, brincadeira. Se escondam assim que encontrarem a verdadeira poesia, pois isso deformará seus corpos, para o bem ou para o mal.

CD: Para você, qual a representatividade que a poesia tem em sua vida?

Hugo: A poesia é o primeiro alimento que procuro depois de um longo período de jejum. É a filha que se chama “Mãe”. É o meu modo de me comunicar com os seres maiores, sejam eles flores ou pedras, e poder dialogar com os cães, com um pouco mais de embasamento.

Hugo busca suas inspirações no amor, no jeito dele se apresentar, na natureza, na cultura, seja ela erudita ou popular, na dor e na solidão, quando alcançada e decifrada. E, enquanto poeta, tem um desejo fora da curva, ele quer chegar a ponto de negar o desejo de um editor publicá-lo, apenas por “birra e charme”. Além disso, pretende não ter a necessidade de escrever tudo que lhe pareça poesia, e “poder dar mais ouvidos a outros oráculos.” Ser imortalizado enquanto poeta? Não! Hugo tem pavor de relógios parados.

A Festa Alemã e a preservação da cultura germânica em Juiz de Fora

Evento celebra sua 24ª edição em 2018 com o objetivo de homenagear famílias germânicas que chegaram ao município há 160 anos.

Por Gabriella Almeida

Quando pensamos em eventos culturais em Juiz de Fora, não podemos deixar de lado a “Deutsches Fest”, também conhecida como Festa Alemã do bairro Borboleta.

O evento acontece uma vez por ano e é tradicionalmente realizado em uma região emblemática, aquela na qual os imigrantes alemães se instalaram quando chegaram no município há 160 anos.  

A Festa Alemã homenageia a cultura germânica com diversas barracas de culinária típica, danças tradicionais e artesanato.

Desde 2012, a “Deutsches Fest” é considerada patrimônio cultural de Juiz de Fora. A Lei 12.621, de 9 de julho de 2012, declarou o evento como utilidade pública para fins de registro e efeito de proteção e preservação, assim como bem constitutivo da cultura colonizadora na memória urbana da cidade. 

O Decreto Municipal nº 232, de 5 de maio de 2010, também considerou o modo de fazer o pão alemão como Bem Imaterial de Juiz de Fora. 

Edição de 2018

Este ano, a Festa Alemã celebra sua 24ª edição entre os dias 13 e 23 de setembro.

O evento havia inicialmente sido marcado para os dias 6 e 16 de setembro, mas foi adiado por exigência do Corpo de Bombeiros.

Salcio Delduca, um dos organizadores, afirma que a expectativa é de bastante movimento nos dez dias.

A Festa mobiliza muitas pessoas de Juiz de Fora e região. Por ser em local aberto, não consigo fazer uma expectativa de público, mas todo ano esperamos uma grande participação”, afirma.

Em seu primeiro final de semana, a “Deutsches Fest” contou com mini restaurantes e cervejarias artesanais, apresentação de diversos grupos de danças folclóricas germânicas e bandas tradicionais e, ainda, com o lançamento do livro “As cervejarias de imigrantes alemães e teuto-brasileiros em Juiz de Fora: Pioneirismo da produção cervejeira em Minas Gerais”.

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(Restaurantes típicos são um dos destaques do evento. Foto: Gabriella Almeida)

Flávia Santos prestigiou o evento e disse ter ficado muito satisfeita com a estrutura e as atrações oferecidas. “Eu e meu marido estamos conhecendo um pouquinho da cultura alemã, e isso é maravilhoso. Além disso, o evento está muito organizado, nós adoramos!”

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(A produção de salsicha é uma das principais características da cultura germânica. Foto: Caio Gandra)

Ano de estreia

A 24ª Festa Alemã marca uma nova etapa na vida de Rosa Weitzel. Apesar de frequentar a celebração desde a primeira edição, esta é a primeira vez que ela participa como membro. Isso porque há dois meses ela decidiu entrar para o grupo de Danças Folclóricas Germânicas Schmetterling.

“Eu estou muito feliz, pois estou fazendo minha estreia como participante. Tive dois meses para ensaiar a coreografia e deu tudo certo”, afirma.

Apaixonada pela festividade, Rosa também ressalta a importância cultural da festividade. “Nossa festa é um evento para divertir as famílias juiz-foranas e também manter viva a memória das famílias alemãs em Juiz de Fora. Faça chuva ou faça sol, estamos aqui sempre animados esperando o público”, finaliza.

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(Rosa Weitzel se apresenta com a Senioren do Grupo de Danças Folclóricas Germânicas Schmetterling. Foto: Gabriella Almeida)