O fantasma da evasão escolar

por Bianca Barros

Não é de hoje que se ouve falar sobre crianças e — principalmente — jovens abandonando os estudos. A evasão escolar é um problema grave no Brasil que data de muitas décadas e está sempre em discussão, principalmente entre aqueles que se esforçam para contornar tal obstáculo, como os profissionais da educação e de Direitos Humanos.

De acordo com o Censo Escolar realizado entre 2014 e 2015 pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), a maior taxa de evasão escolar é durante a 1ª série do ensino médio.

Gráfico evasão escolar

Segundo a Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), entre os 100 países com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), em 2013 o Brasil exibia a 3ª maior taxa de abandono escolar.

Na cidade de Juiz de Fora, o cenário também não é dos mais otimistas. Gabriel Quetz, de 21 anos, é um dos exemplos dessa realidade. Aluno da Escola Estadual Presidente João Pinheiro, cursou o ensino fundamental e apenas o primeiro ano do ensino médio, em 2016. “Eu precisava trabalhar para ajudar em casa e acabei perdendo o incentivo que a escola poderia me trazer naquele momento”, relata.

O pai do rapaz também contribuiu para sua decisão de abandonar os estudos, sendo a favor de que Gabriel trabalhasse, visto que a situação em casa não era das melhores. A mãe, apesar de pensar no futuro do filho, também acabou acatando a escolha. “Minha mãe foi mais pro lado emocional e quis que eu ficasse, mas eu prometi a ela que ainda volto e termino a escola, nem que seja pelo EJA”, Gabriel afirma.

Contudo, a situação financeira não é o único fator que influencia na crescente taxa de evasão escolar. Darílio Freitas é professor na Escola Municipal Doutor Antonino Lessa e conta que a dificuldade de aprendizagem também é um gatilho para que o aluno desista dos estudos. Segundo ele, a má formação e o descompromisso de alguns profissionais da educação acarreta em uma defasagem no que se diz respeito a estimular os educandos externamente. Não havendo tal estímulo, diante da menor dificuldade, a saída de muitos jovens é abandonar os estudos.

Darílio conta que, como uma das formas de combater o problema do abandono escolar, as escolas municipais apresentam em algumas situações um professor de apoio, o qual tem a responsabilidade de acompanhar alunos com necessidades especiais quanto à aprendizagem. Ainda assim, o docente finaliza dizendo que, apesar dos muitos projetos existentes, o poder público deixa a desejar.

Correr: ato solidariedade e conscientização

 

Por Letícia Nunes

O Outubro Rosa nasceu em 1990 para estimular a participação da população na luta contra o câncer de mama. A campanha visa conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença que vem aumentando a cada ano, para o biênio 2018-2019 estimam-se cerca de mais de 59 mil novos casos, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva).

A Ascomcer (Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama de Juiz de Fora) anualmente homenageia essa campanha com uma corrida que está em seu sexto ano consecutivo. A corrida aconteceu no último domingo (21) na Universidade Federal de Juiz de Fora e contou com mais de 1.600 participantes, homens e mulheres, jovens e adultos, todos em prol de um objetivo: solidariedade e conscientização. O percurso foi de 6,5km para corredores e 2,3km para quem escolheu a opção de caminhada, afinal o importante é incentivar a atividade física como um preventivo ao câncer de mama.

Estudante da UFJF, Camila Gonçalves (24) correu pela primeira vez este ano, ela estava se preparando já há algum tempo e sonhava em participar de uma corrida de rua. Movida por uma causa nobre, Camila e seus amigos resolveram encarar o desafio e mais do que isso “por ser uma instituição filantrópica que precisa constantemente de ajuda”. Todo o dinheiro arrecadado com o evento é direcionado à compra de remédios quimioterápicos dos pacientes da Ascomcer, levando em conta o número total de inscrições, foram mais de R$90.000,00 arrecadados à instituição.

Com as marcas de 22min02s e 17min29s, Aline Barbosa dos Santos Silva (Faculdade Granbery/Educação Física) e Jocemar Fernandes Correa (Visão de Águia) foram os grandes vencedores da categoria geral. Já na categoria de pessoas com deficiência, Michelle Correia Franco (Gr Fit) e Róbson Andrade De Lima (Super Amigos – PCD) foram os campeões com os tempos de 30min36s e 20min44s. O JF Paralímpico levou a primeira colocação por equipes tanto no feminino, quanto no masculino.

 

 

Juiz de Fora sai às ruas contra Bolsonaro

Por Raissa Segantini

Quem acompanha o desencadear das campanhas políticas para as eleições de 2018 no Brasil, sabe como é forte a luta popular a favor ou contra presidenciáveis e partidos. Não é diferente em relação ao movimento anti-Bolsonaro, que levou cidadãos, temendo a onda conservadora que parece se aproximar do país, a se unirem para evitar esse possível futuro.

É o caso do grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que surgiu no Facebook em setembro, promovendo a famosa hashtag #EleNão, e foi hackeado e censurado, levando inclusive a consequências físicas, já que uma das administradoras foi agredida (Terra-UOL) por defensores radicais do candidato.

A questão se intensificou e, no último sábado, 29 de setembro, atos contra o presidenciável – organizado por mulheres, mas com participação de toda a sociedade que simpatiza com a luta dessa e de outras minorias – partiram de vários municípios brasileiros. Neste link  (G1) há imagens de manifestações em algumas das 144 cidades envolvidas e também de mobilizações, por outro lado, em apoio ao candidato a presidência pelo PSL, que ocorreram no mesmo dia ou no dia seguinte, em 40 cidades.

Em Juiz de Fora as duas correntes foram às ruas durante o fim de semana. No evento de sábado, Todos e todas contra o fascismo, calculou-se uma média de 20 mil pessoas. A programação correu com tranquilidade. O vídeo abaixo traz imagens do dia e depoimentos de quem esteve por lá:

Galeria:

DSC_0822

DSC_0880

DSC_0819

DSC_0944

DSC_0951

DSC_0964

DSC_0977

DSC_0993

 

 

 

 

 

 

 

O encanto dos Coros – Festcoros 2018

 Por Letícia Nunes

O maior evento da música coral no Brasil aconteceu no último fim de semana aqui em Juiz de Fora – MG: Festival Internacional de Coros. Como o próprio nome diz, conta com a participação de grupos de coros do país e do mundo, ao todo mais de 50 apresentações dos 17 grupos participantes e mais de 20 mil pessoas encantadas com os concertos. O evento está em sua vigésima quarta edição e ele acontece todo ano no mês de setembro na cidade.

 

Realizado durante uma semana, conta com várias apresentações em diversas cidades da região, como Lima Duarte, Leopoldina, Guarani, Argirita, Maripá de Minas, Chácara, Coronel Pacheco e Rio Novo. Não somente em teatros, as apresentações acontecem também em igrejas, universidades, escolas, shoppings e centros comerciais. Os concertos de abertura e encerramento acontecem no Cine-Theatro Central em Juiz de Fora.

O Coro Acadêmico da UFJF foi um dos grupos que marcou presença no festival e se apresenta pelo quarto ano consecutivo. O grupo realizou duas apresentações, a de sexta-feira (28) foi na Igreja do Rosário, onde cantaram uma música autoral do seu maestro e professor Willsterman Sottani, a segunda aconteceu no sábado (29) no Cine Theatro Central com direito à percussão corporal.

popopo

Willsterman contou a importância da participação de seus alunos em um festival tão grande. Segundo ele, “a experiência e a técnica de palco é muito importante para os estudantes”. O maestro explicou também em quais aspectos essa experiência proporciona evolução para o grupo: “Espacialização, presença e confronto”. A primeira se refere ao posicionamento em um palco; a segunda à concentração durante a apresentação em um lugar tão importante e com tantos espectadores; e por último, ele se refere à iluminação do palco, pois a iluminação vem de frente, o que pode dificultar a leitura da partitura.

 

 

Primavera: O lado preocupante dos três meses mais floridos do ano

Por Raissa Segantini

A primavera chegou ao final do dia 22 de setembro e já houve dias calorosos – o inverno também não foi tão frio quanto se esperava. A tendência é que a onda de calor se agrave com a formação do fenômeno El Niño prevista para a estação em 2018 e levará, inclusive, a uma irregularidade nas chuvas que são esperadas de acordo com a distribuição do território brasileiro.

unnamed

Foto: Anna Duarte

Estação das flores

A doutoranda em ecologia, Aline Mystica, explica que por se tratar de um período de transição de época fria para quente, a duração do dia aumenta e a irradiação de luz, a umidade do ar, o volume de chuvas e as temperaturas se elevam e isso torna as plantas mais aptas à reprodução e, consequentemente, a floração: “A disponibilidade de luz é essencial para os processos vitais das plantas, atuam na regulação de vários processos, inclusive do processo reprodutivo além de importância central para a fotossíntese. Outros fatores, tais como a disponibilidade de água e de nutrientes, interferem na floração das plantas”.

Há também as “plantas de dias curtos”, que preferem dias menores e mais frios e são mais férteis no inverno. É o exemplo do morangueiro, cerejeira, hortênsia e lavanda. Mas ainda assim, o período em que mais há flores, e não à toa é conhecido por isso, é a primavera.

Primavera e saúde

Entretanto, ver a natureza tão florida nem sempre é maravilhoso para todo mundo. É nessa fase reprodutiva que o pólen entra em cena com mais força e as alergias vêm acompanhando. Os asmáticos e riníticos alérgicos têm que tomar um cuidado especial para aproveitar a estação sem problemas maiores.

Laurindo Neto, médico alergista, explica que o pólen é um alérgeno vegetal e aconselha os que passam por essas situações frequentemente que evitem as zonas rurais. É realmente importante atenção, pois os sintomas podem incluir: “crises de asma brônquica, podendo chegar até o estado de mal asmático que exige a hospitalização. Os riníticos sofrem com espirros repetitivos e congestão nasal, que levam à insuficiência respiratória nasal e, outras vezes, ocorre a laringite, inflamação na laringe, que obstrui a passagem de ar para os pulmões, pondo em risco a vida do paciente”.

Ele acrescenta que outra doença comum durante a estação é a “conjuntivite primaveril”, que se trata de uma inflamação das conjuntivas. Os sintomas são vermelhidão e coceira nos olhos, edema palpebral e lacrimejamento. “É uma forma de hipersensibilidade muito agressiva”, segundo ele. Nesse caso é indicado uma visita ao alergista e ao oftalmologista.

Com os devidos cuidados, é possível poupar tempo que seriam gastos na luta contra doenças para apreciar a Primavera que traz cenas bonitas como esta:

Imigrantes venezuelanos são acolhidos em Juiz de Fora

por João Guilherme Santos

Um ônibus com 35 venezuelanos partiu de Boa Vista, capital de Roraima, em direção à fronteira entre o Brasil e a Venezuela em um programa voluntário de repatriação. A condução dos imigrantes aconteceu na quarta feira (26) em um ônibus alugado por empresários venezuelanos apoiadores do programa “Volta à Pátria”, criado pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

A ação foi acompanhada por alguns representantes do consulado da Venezuela no Brasil. Eles destacaram que a iniciativa deste programa de repatriação é voluntária e que os acontecimentos de quarta não têm relação com o acordo firmado entre o presidente venezuelano e o governo de Roraima.

Dos 35 imigrantes que voltaram à Venezuela, alguns viviam em situação de rua e outros em abrigos para refugiados.

whatsapp-image-2018-09-26-at-11.25.01 (1).jpeg
Ônibus fretado por iniciativa privada venezuelana, leva imigrantes de volta à Venezuela — Foto: Inaê Brandão/G1 RR

A tentativa de dias melhores em novos ares

Venezuela atravessa sua pior crise da história, o que fez crescer em grande escala o número de venezuelanos que se mudam para os países vizinhos em busca de sobrevivência. As reações dos países receptores foram diversas: enquanto no Peru e no Equador o passaporte começou a ser exigido para que os venezuelanos pudessem cruzar as fronteiras; na Colômbia foram concedidos mais de 440 mil vistos temporários a imigrantes venezuelanos, após decreto editado por Juan Manuel Santos, antes de ele transmitir o cargo de presidente para o sucessor Iván Duque.

No Brasil a principal porta de entrada dos imigrantes é a cidade de Pacaraima (RR). Dados divulgados no final de agosto, pelo IBGE, estimam que 30,8 mil venezuelanos vivem no Brasil atualmente. Destes, 10 mil cruzaram as fronteiras no primeiro semestre de 2018. A base dos levantamentos feitos pelo IBGE tem como ponto de partida as informações da Coordenação Geral de Política de Imigração da Polícia Federal a partir do ano de 2015. O resultado da análise leva a um aumento de 3.000% da população de venezuelanos no Brasil, que antes estava na casa de 1.000 pessoas.

José, o Jovem Guerreiro

Uma das histórias marcadas por toda esta situação é a de José Gregório Uricare Navarro. Um jovem que – na época – com 20 anos de idade teve de deixar seus pais e sua irmã na sua cidade natal, Maturín (Monagas, Venezuela), em busca de melhores condições de vida no Brasil. José, assim como a maioria dos imigrantes venezuelanos chegou no Brasil pelo estado de Roraima e viveu em Boa Vista durante um período, até que recebeu o auxílio da Polícia Federal, que o encaminhou para Juiz de Fora, com seu irmão e seu primo.

Uma ajuda amiga

Logo que chegou a Juiz de Fora, José e alguns outros imigrantes foram acolhidos pela ABAN. A Associação dos Amigos (ABAN) foi fundada no ano de 1997, em Juiz de Fora, e é uma organização não governamental que tem o objetivo de combater a pobreza e constituir um mundo melhor através da mobilização de pessoas. A ONG possui três pilares principais: o enfrentamento da desigualdade e pobreza; a nova relação com o meio ambiente; e cultivo de uma cultura de paz e espiritualidade.

Seguindo estes preceitos, a ABAN tem mais de 30 projetos em comunidades de Juiz de Fora (MG) e Paraíba do Sul (RJ). Uma destas iniciativas foi chamada de “Gruta de Belém” e tem o objetivo de acolher refugiados venezuelanos na cidade de Juiz de Fora. De acordo com Camila Riani, voluntária da ABAN, um padre jesuíta, que trabalha na Polícia Federal, seleciona os imigrantes em Roraima e consegue doação de passagens para que eles se mudem para outros estados do país. No caso dos imigrantes que vieram para Juiz de Fora, a ABAN os acolheu na Casa Benjamin, que é uma casa temporária pertencente à Associação e fica no Bairro Dom Bosco. A Gruta de Belém é o projeto mais recente da casa, que já é sede de vários outros projetos, dentre eles o acolhimento a pacientes que não são de Juiz e estão em tratamentos médico na cidade ou familiares dos mesmos que não têm condições de arcar com a estadia durante o período em que os procedimentos médicos são realizados.

O período de estadia dos refugiados na casa Benjamin é de aproximadamente três meses, pois um dos lemas da ABAN é enfrentar a pobreza e incentivar as pessoas para que sigam de forma autônoma. “O objetivo do nosso projeto é sempre proporcionar que essas pessoas consigam seguir a vida de forma independente e que sejam agentes de sua própria mudança”, explica Camila. Ela complementa que para que o projeto de adaptação seja cumprido com êxito existem algumas etapas e voluntários que os auxiliam nas diversas áreas:

“nós temos uma equipe de voluntários que ajudam em várias frentes, como por exemplo: temos uma professora de Português que dá aulas na própria Casa, para que eles se ambientalizem com a língua e com a cultura; temos um voluntário que é advogado e fica responsável pela parte de documentação para regulamentar todos os documentos deles e também para dar algumas orientações; nós temos uma pessoa que fica por conta da empregabilidade que os ajuda a encontrar um trabalho, vai nas empresas e tenta parcerias”.

A voluntária da ABAN afirma que já passaram pela casa 50 imigrantes venezuelanos desde o começo do projeto (em outubro de 2017).

José morou na casa da ABAN durante um período e passou por estes processos. Logo no terceiro dia na cidade, ele conseguiu  emprego em uma pizzaria, onde atua como balconista. Hoje além do trabalho, José participa do curso “Português para Estrangeiros”, na faculdade de Letras da UFJF, todas as terças feiras, e se aprofunda mais nas questões gramaticais da língua.

Manchester mineira é esperança mais uma vez

Atualmente, com o aumento muito acelerado da população venezuelana em Roraima, é possível observar a ocorrência de casos de xenofobia. Em Juiz de Fora,  José disse que foi muito bem acolhido pela população local. Para Camila, a xenofobia e o preconceito em Roraima são consequências deste crescimento exponencial no número de imigrantes no país, que estão, em sua maior parte, concentrados nessa região – já que o estado de Roraima faz fronteira com a Venezuela. Em Juiz de Fora, ainda de acordo com Camila, os imigrantes relatam que a situação é oposta à Roraima: “nós percebemos que todos eles relatam que, aqui na cidade, todos foram muito bem acolhidos”.

IMG_3298
Um dos sonhos de José é continuar a faculdade de Engenharia Civil, que teve de ser interrompida na Venezuela. — Foto: João Guilherme Santos

Quando perguntado sobre a dificuldade de adaptação em relação à linguagem,  José sorriu e disse: “Às vezes é difícil entender corretamente o que vocês falam, porque na hora de pronunciar algumas palavras vocês falam de maneira diferente da que se escreve, algumas juntas com outras e isso dificulta um pouco”. Referindo-se, carinhosamente, ao jeito mineirinho de falar.

José espera um dia poder trazer para o Brasil sua mãe, seu pai e sua irmã, que ainda estão na Venezuela e sofrem com as consequências da crise.

Ajude Você também
A ABAN necessita muito de doações e ajudas voluntárias. Para ajudar, acesse o site e tenha mais informações.

Onde procurar ajuda para combater o alcoolismo em Juiz de Fora

Por Allan Santana

O uso de bebidas alcoólicas é incentivado na nossa sociedade, a ponto do mesmo ser frequentemente associado na mídia à juventude, sucesso pessoal, bem-estar, beleza e sexo. Um levantamento sobre o consumo de álcool no país apontou que a cerveja é a bebida mais ingerida pelos brasileiros. O vinho ficou com o segundo lugar, no levantamento feito numa parceria entre a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em 2014.

O consumo exagerado do álcool pode acarretar diversas dificuldades e, em vez de, trazer as sensações sugeridas pela publicidade, pode acabar com famílias e vidas. Uma pesquisa do Ministério da Saúde, feita em 2012, apontou que um a cada três homens de 18 a 24 anos abusa do álcool no país. Os números são preocupantes, pois uso abusivo de álcool estimula violências, insucesso escolar, acidentes e comportamentos de risco, como tabagismo, o consumo de drogas ilícitas e sexo desprotegido.

É possível saber quando uma pessoa está abusando do álcool. Uma das formas é tentar passar um mês sem beber. Nesse período, deve se observar se há mudança do estado de humor, produtividade, sono, irritabilidade, entre outras alterações de comportamento.

Nas redes sociais e em comerciais, só aparecem pessoas felizes, bem acompanhadas e se divertindo. Na vida real, o uso excessivo da mesma substância é motivo de tristeza para muitas famílias. Em Juiz de Fora, o Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps AD), realiza o atendimento de pessoas que desejam diminuir os danos das substâncias.
O serviço funciona 24 horas, sete dias por semana e tem, entre os objetivos, promover a inserção do paciente na sociedade, através de oficinas terapêuticas e trabalhos internos e externos, como atividades esportivas. Há diversos caminhos para chegar até o Caps AD: ser encaminhado pelas Unidades de Atenção Primária (UAPS); estar inserido na Central de Penas Alternativas (CEAPA) ou, ainda, pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP).

O Caps atende diariamente cerca de 35 pessoas, que participam de atividades diversas, como: artesanato, leitura, oficinas de cidadania, jardinagem e sessões em cinema.

Além dos atendimentos, o Centro de Atenção Psicossocial também realiza, em média, oito acolhimentos diários. Um psicólogo escuta o paciente, identifica as necessidades e encaminha a pessoa para uma equipe multidisciplinar. Tudo isso para um melhor acompanhamento. Nos finais de semana, o local não conta com funcionários dos serviços gerais e as funções ficam sob responsabilidade dos detentos da CEAPA, que assim reduzem suas penas.

O Caps AD conta ainda com sete leitos – sendo quatro masculinos e três femininos – para realizar intervenções em situações de crise, como abstinência e/ou desintoxicação sem ocorrência clínica grave e comorbidades. A chefe de Departamento de Saúde Mental, Andréia Stenner, lembra a importância do envolvimento das pessoas ao redor: “Quanto maior o número de envolvidos no processo, como família, amigos, e colegas de trabalho, maiores são as chances de adesão ao tratamento e recuperação.”

Trabalho que tem feito à diferença

“Quem me viu há dois anos não acredita que sou eu hoje.” Foram com essas palavras que A.J de Azevedo resumiu o seu tratamento no Caps AD.  Apesar da melhora, ele revelou que ainda tem problemas com a família e que o antigo vício deixou sua saúde debilitada.  Quando chegou ao Caps, em 2010, foi orientado a participar das atividades todos os dias. Atualmente, participa uma vez na semana, após conseguir cortar o álcool de vez.

Tiago H.S. conheceu o Caps em 2012 após ser abordado por uma psicóloga. Morador de rua na época, ele teve uma recaída ao longo do tempo, mas voltou e está há mais de 8 meses longe do álcool e das drogas. Tiago gosta de pintar quadros e jogar futebol, inclusive diz ter sido artilheiro numa edição passada de um tradicional torneio entre Caps de Juiz de Fora e região.

caps 1Alguns dos artesanatos produzidos por integrantes do Caps AD (Foto: Allan Santana)

Uma ajuda anônima

O Alcoólicos Anônimos é uma irmandade presente em mais de 180 países e com cerca de seis mil grupos. Neste mês, o AA completou 70 anos de existência no Brasil. Em Juiz de Fora, há 30 salas em funcionamento, divididas entre os bairros de todas regiões do município. Esses grupos promovem reuniões das 19h às 21h em diferentes dias da semana. Não há ficha de cadastro, mensalidade ou taxa. O único requisito é o desejo de parar de beber. O grupo é mantido pelos próprios membros e não aceita doações de instituições.

Realizadas na cidade desde junho de 1961, as reuniões servem para a troca de experiências e os grupos buscam a total abstinência do álcool. O propósito é o mesmo: devolver o indivíduo pra sociedade.

Foi nesse local que conversei com J.L.B, um dos responsáveis pelo AA na cidade. Ele trabalha voluntariamente, assim como todos que colaboram para o funcionamento da irmandade. Há 23 anos no grupo, ele revela a principal dificuldade do alcoólatra: “Sem dúvidas é admitir a impotência perante o álcool e confessar que perdeu o domínio sobre a vida.” O pensamento entre os que frequentam as reuniões e escutam os depoimentos  é o mesmo: se funcionou pra essas pessoas, tem que funcionar pra mim.

IMG_20180917_144812

“A sociedade que batia palma quando comecei a beber, é a mesma que me apedrejou, me humilhou e enxotou quando passei a dormir pelas calçadas e importunar os outros. E hoje se pergunta ‘O que aconteceu com ele?’”

Em 1987, ele ficou no AA por seis meses, mas achou que não era o momento de parar e que tinha condições de beber mais um pouco. Sete anos depois, no dia 1° de abril, ele deu o grande passo de sua vida e voltou para o grupo. “Foi no dia da mentira que eu conseguiu ser honesto comigo mesmo e sair do fundo do poço.”

Foi evitando o primeiro gole, em qualquer situação – como diz um dos lemas do AA – que ele venceu o vício. “ Às vezes me perguntam, mas nem uma cervejinha? Tá um calor doido… Mas eu vou e recuso, sabe por quê? Uma cerveja não seria suficiente.”

 Caps AD

Rua Silva Jardim, nº 430, no bairro Santa Helena

Fica aberto 24 horas por dia

Telefones: 3690-8549/8550
Alcoólicos Anônimos – escritório central

Rua Henrique Burnier, 333, no Mariano Procópio.

Lá, o interessado recebe informações sobre dias e horários de cada grupo.
Horário:  8h. as 18h.
Telefone: 3215-8503

Saúde Mental é tema de discussão em Juiz de Fora

INICIAL

Por Caroline Crovato

Acontece entre os dias 3 a 5 de outubro a XII Jornada Acadêmica de Saúde Mental, no Anfiteatro do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal de Juiz de Fora. O evento organizado pela Liga Acadêmica LASmental, formada por alunos da UFJF, tem como objetivo a discussão sobre o tema Saúde Mental, para além da ausência ou presença de doenças, mas sim como ela pode ser entendida no cotidiano das pessoas.

As Ligas Acadêmicas são entidades sem fins lucrativos criadas e constituídas por graduandos e professores, com interesse por um tema comum. A busca pela troca de experiências entre profissionais de várias áreas levou os estudantes a montarem a liga multidisciplinar com 4 cursos – Medicina, Serviço Social, Psicologia e Enfermagem – a fim de garantir a discussão sobre a integridade biológica, psicológica e social do homem.

Aline Gomes é assistente social e reforça a importância da multidisciplinaridade do trabalho. Ela atualmente faz parte do Núcleo de Apoio Escolar do Colégio João XXIII e explica que a discussão sobre a saúde mental, seja no âmbito escolar ou universitário,é um assunto muito novo para as instituições de ensino. “A questão da saúde mental é múltipla, por isso a psicologia e a assistência social estão andando de mãos dadas. O trabalho é conjunto”, ela destaca.

Jorgy Viana está no 11° período de Medicina, faz parte da direção e é atual tesoureiro da LASmental. Ele explica que o foco da jornada este ano é falar da saúde mental sob a perspectiva da totalidade dos seres humanos, considerando os aspectos de vida e o meio socioeconômico em que estão inseridos. “É muito importante falar sobre o tema porque não adianta tratarmos só de doenças e esquecer que o adoecimento mental tem relação com vários fatores, como problemas e dificuldades em casa, por exemplo”, ele explica.

Jorgy ressalta que a liga entende a discussão do tema como uma demanda de trabalho em equipe. Por esse motivo, o evento vai abordar a saúde mental das parcelas da população que estão à margem da sociedade, como negros(as), moradores de rua, mulheres trans, entre tantos outros, sob a ótica de profissionais da área psíquica, biológica e também social.

ALGUNS DOS DIRETORES. CERTIFICADO É ANTIGO DIRETOR O de azul é o professor tutor da liga
Foto: Arquivo Pessoal / Diretores, antigo diretor e Professor Tutor da Liga

O ingresso para participar da Jornada custa R$25,00 e a inscrição pode ser feita por whatsapp (31) 98364-8666 ou pelo e-mail lasmental@gmail.com. A programação envolve apresentação de trabalhos científicos de participantes e palestras das 18h às 21h com diversos temas. Alguns dos destaques são: “Enfermagem na Saúde Mental”,  “Cotidiano das Mulheres Trans nos Atendimentos à Saúde” e “A Saúde Mental da População Negra”, lideradas por professores, mestres e profissionais das áreas. A programação completa você confere na imagem abaixo ou pelo Facebook.

PROGRAMAÇÃO

Como Aline ressalta, todos precisam de um ambiente saudável para viver bem e qualquer um que tem essa condição afetada pode sofrer algum tipo de exclusão, constrangimento ou violência. A Jornada pretende discutir sobre essas questões e superar o pensamento de que saúde mental é ausência de doenças. Saúde mental é equilíbrio.

Caminhão perde o freio e atinge ônibus no Bom Pastor

Por Allan Santana

Um caminhão, carregado de estacas, apresentou uma falha na caixa de marcha e acabou perdendo o freio, descendo de ré e atingindo um ônibus urbano. O caso aconteceu na manha desta segunda-feira (24), na Rua Coronel Antônio Sobreira, no bairro Bom Pastor. Além de atingir a lateral do ônibus, ambos os veículos danificaram parte do canteiro da Paróquia do bairro.

IMG_20180924_080914Apesar do susto, ninguém se feriu. (Foto: Allan Santana) 

Andre Silva, 57, motorista da linha 221 (Bom Pastor/Santa Catarina), afirmou ter avistado o caminhão perdendo o freio, chegou a mudar o trajeto, mas não foi capaz de evitar a colisão. Não havia passageiros no ônibus e ninguém se feriu. A Polícia Militar esteve no local para registrar o acidente e a Settra organizou o trânsito, já que a rotatória ficou interditada com os dois veículos.

Dois crimes na mesma rua causam tensão na Zona Leste de Juiz de Fora

No último sábado(15), duas ocorrências assustaram os moradores da Rua Luiz Creozol, no Bairro Nossa Senhora Aparecida.

por João Guilherme Santos

Untitled-1
No início da Rua Luiz Creozol – à esquerda – bar onde motorista foi baleado.

A primeira ocorrência do dia foi um assalto a um motorista, que prestava serviços no momento do acontecimento. Segundo testemunhas – que não quiseram se identificar – o caminhão de uma distribuidora de bebidas estava parado em frente a um bar quando o criminoso anunciou o assalto. O motorista, de 36 anos, chegou a entregar a quantia de R$30,00 e mesmo assim foi baleado na altura do pescoço. Ele foi levado para o HPS onde foi socorrido e, em seguida registrou o boletim de ocorrência com a Polícia Militar. O assaltante fugiu, mas foi reconhecido pela vítima através de fotografias. O nome do motorista baleado não foi divulgado pela Polícia Militar e ele segue internado sem risco de morte, o assaltante ainda está foragido.

O segundo caso aconteceu a menos de um quilômetro de distância da ocorrência inicial. Também foi relatado por testemunhas que moram no bairro. Segundo elas, um homem efetuou disparos com arma de fogo contra seu irmão, mas não chegou a atingi-lo. Os motivos do atentado seriam dívidas relacionadas ao tráfico de drogas. A Polícia Militar não possui registros sobre o caso.

Untitled-2
Os pontos “A” e “B” representam respectivamente os locais do primeiro e do segundo ocorrido.

Os acontecimentos assustaram os moradores porque na região não são comuns casos como esses. “Mesmo com uma fama de um bairro perigoso, aqui não vemos acontecer isso, ainda mais duas vezes em um dia só”, disse outra moradora da região que não quis se identificar.