Correr: ato solidariedade e conscientização

 

Por Letícia Nunes

O Outubro Rosa nasceu em 1990 para estimular a participação da população na luta contra o câncer de mama. A campanha visa conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença que vem aumentando a cada ano, para o biênio 2018-2019 estimam-se cerca de mais de 59 mil novos casos, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva).

A Ascomcer (Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama de Juiz de Fora) anualmente homenageia essa campanha com uma corrida que está em seu sexto ano consecutivo. A corrida aconteceu no último domingo (21) na Universidade Federal de Juiz de Fora e contou com mais de 1.600 participantes, homens e mulheres, jovens e adultos, todos em prol de um objetivo: solidariedade e conscientização. O percurso foi de 6,5km para corredores e 2,3km para quem escolheu a opção de caminhada, afinal o importante é incentivar a atividade física como um preventivo ao câncer de mama.

Estudante da UFJF, Camila Gonçalves (24) correu pela primeira vez este ano, ela estava se preparando já há algum tempo e sonhava em participar de uma corrida de rua. Movida por uma causa nobre, Camila e seus amigos resolveram encarar o desafio e mais do que isso “por ser uma instituição filantrópica que precisa constantemente de ajuda”. Todo o dinheiro arrecadado com o evento é direcionado à compra de remédios quimioterápicos dos pacientes da Ascomcer, levando em conta o número total de inscrições, foram mais de R$90.000,00 arrecadados à instituição.

Com as marcas de 22min02s e 17min29s, Aline Barbosa dos Santos Silva (Faculdade Granbery/Educação Física) e Jocemar Fernandes Correa (Visão de Águia) foram os grandes vencedores da categoria geral. Já na categoria de pessoas com deficiência, Michelle Correia Franco (Gr Fit) e Róbson Andrade De Lima (Super Amigos – PCD) foram os campeões com os tempos de 30min36s e 20min44s. O JF Paralímpico levou a primeira colocação por equipes tanto no feminino, quanto no masculino.

 

 

“O menino do morro virou Deus”: conhecendo o rapper RT Mallone

Por Guilherme Serafim

Dentro do âmbito musical, o rap sempre foi um movimento importante no cenário nacional, mas nos últimos anos tem ganhado ainda mais força e reconhecimento ao longo do território brasileiro. A cada dia que passa, vemos novos rappers iniciarem sua caminhada na música, buscando alcançar o sucesso através das mensagens que propagam em seus sons. E aqui em Juiz de Fora, não é diferente.

Hoje vamos conhecer um pouco da história e da trajetória de Vitor Alexandre Pereira, 23, o RT Mallone. Nascido e criado no bairro São Benedito – também conhecido como “Arado” -, na zona leste de Juiz de Fora, RT começou a se envolver no movimento hip-hop quando tinha 11 anos, num projeto social de dança que ocorreu em seu bairro. Fazendo hip-hop dance e break, Vitor começou a escrever suas primeiras músicas nessa época, e continuou apenas escrevendo até 2012, quando aos 17 anos conheceu o Encontro de MC’s. “Mano, o bagulho mudou minha vida assim, papo reto porque como eu já escrevia, eu sempre gostei de cantar, eu cantava em coral também quando era criança, então tipo foi uma parada que abriu muito a minha mente assim, para muitas coisas e o hip hop foi um caminho que se abriu na minha frente e eu tô seguindo ele até hoje”, lembra o rapper, que hoje é um dos maiores nomes do cenário na região.

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RT Mallone durante uma apresentação. (Foto: Arquivo Pessoal)

Tendo sua inspiração inicial no “rap gringo” (50 Cent, Ja Rule, Snoop Dog) e Racionais MC’s, considerados por muitos os maiores nomes da história do rap nacional, Mallone relembra que em meados de 2012, quando entrou no movimento, o rap estava passando por uma transformação: “Tava chegando uma galera mais nova, com as temáticas diferentes que era galera ali dos três temores, o Emicida, Rashid e Projota, a Terceira Safra. Foi uma escola muito de São Paulo, eu ouvia muita gente de lá como a Miriam XL, a galera da Artefato também, o Nego E. Don L um pouquinho depois. São pessoas que me influenciam até hoje”, conta.

RT destaca também que sua grande fonte de inspiração, o rapper Emicida foi o primeiro da nova geração a conseguir verdadeiramente lucrar com o Rap. “Emicida acho que foi o cara que eu mais imitei, posso falar assim, em questão de carreira, dele fazer as coisas no palco e o quanto ele cresceu tá ligado sempre achei isso muito forte…eles tinham muita um corre de fazer as próprias Mix tapes, ser um bagulho caseiro e ir vendendo de mão em mão.O Emicida na época vendeu mais de 10 mil Mix tapes de mão em mão tá ligado. Eu vi aquilo ficava perplexo…nessa de inspiração eu devo muito essa galera de São Paulo… na época o corre deles era insano”, finaliza contando como aquilo o influenciou, já que antes de lançar seu primeiro álbum, intitulado “Vendedor de Sonhos”, ele vendia a sua Mix tape produzida em casa, que era composta por cinco músicas, quatro delas que fazem parte do CD.

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Mallone com sua Mix Tape (Foto: Arquivo Pessoal)

Nascido e criado numa comunidade onde o movimento do tráfico é muito forte, Mallone conta que foi difícil ver amigos próximos tenderem para o lado do crime, diz que por pouco não seguiu o mesmo caminho e enfatiza a influência da música na sua decisão: “Eu tenho tipo um histórico de melhores amigos que entraram “nessa”, mas na família não. Minha família é uma família de gente muito humilde, muito trabalhadora…uma parada que me impediu bastante de não me envolver no crime foi a falta de disposição mesmo tá ligado, esse fato de exemplo assim, de não ter ninguém na família. Sempre foi uma parada que eu cogitei mano, não vou falar que eu não cogitei, eu sempre cogitei tá ligado, cheguei bem próximo, mas a música, o fato deu ter esse contato com a música mano, eu acho que salvou a minha vida assim, papo reto”, finalizou.

Antes funcionário de uma padaria, Vitor passou por várias dificuldades até conseguir se manter apenas com o retorno de sua música. Um dos versos de seu CD é “escrevi todos esses versos em papel de pão”. Mallone conta algumas dificuldades dessa época: “Pô esse verso do papel de pão é uma parada que realmente aconteceu porque eu era balconista e como não podia usar o celular, eu acabava escrevendo nos papéis que usava para servir as pessoas e tal… realmente era um corre muito doido mano, às vezes tinha que trabalhar virado porque eu passei a noite num evento tocando… às vezes fazia um evento lotado e voltava pra casa a pé porque sabia que aquela grana ia fazer falta, virava a noite produzindo CD pra vender no evento porque sabia que podia aumentar a renda vendendo… já saí do trabalho cansado e fui pro show direto, e aí tinha que ficar à base de energético pra ficar acordado porque não tinha tempo pra ensaiar, ficar descansado fisicamente e psicologicamente também… fazer música é um caminho difícil mano, mas é muito doido poder fazer uma parada que você ama e poder ver aquilo dando frutos tá ligado, incentivando outras pessoas mano, é meio compensador assim, tá ligado”, bradou.

No início da carreira, Mallone era apenas um admirador dos músicos que faziam parte da Artefato Produções. Hoje, ele tem o privilégio de compor o selo Artefato e cantar com quem antes ele via apenas como ídolo. “A Artefato foi aquele tipo de coisa que acontece sem você esperar, tá ligado. Antes de mim e da galera de 2012, o Brackes, a Thayná, o Marte, não tinha aqui em JF muita perspectiva de fazer essa parada virar, a gente achava que ninguém abraçaria o corre. A gente não achava que Marechal, Emicida viria aqui, olharia o nosso talento e ia falar “pô, vão bora fechar com nóis” e foi exatamente o que aconteceu com a Artefato. O Nego E ouviu um som meu, que era o “42” na época, em 2016, e ele curtiu bastante, pediu pra gente se aproximar mais e tal, até que ele me chamou pra participar do disco dele, o “Oceano”… a partir dali eu virei um contratado deles e pra mim isso é muito importante tá ligado, porque a gente não tinha essa perspectiva, ninguém acreditava que isso era possível tá ligado, e de repente um rapper da zona leste de Juiz de Fora consegue um contrato com um selo de São Paulo… é uma parada que agrega muito valor no meu nome artístico mas que me ajuda a continuar pensando positivo sobre o meu trampo também tá ligado. É bom para quem vê de fora mas também é bom para mim, quando eu olho no espelho, tá ligado”, disse.

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RT durante show realizado pela Artefato em Juiz de Fora. (Foto: Arquivo Pessoal)

O CD de RT Mallone, “Vendedor de Sonhos”, faz alusão ao vender o doce de padaria, que era a profissão dele até se dedicar exclusivamente à música, e também a vender os desejos no mundo, os sonhos de cada um. Por fim, Mallone deixa um recado para todos em relação ao que almejam.

Então, eu quero falar para todos mano que não é um caminho fácil tá ligado, ninguém tá te prometendo que vai ser fácil seguir seu sonho tá ligado, realmente é um caminho espinhoso, é difícil mas é muito prazeroso; é satisfatório a cada pequena conquista, você consegue ver aqui que a coisa tá andando para frente mano, e isso é muito satisfatório tipo a nível pessoal e para as pessoas que estão ao seu redor também. Então eu peço encarecidamente para quem vai ler, que mesmo sem me conhecer,  mesmo sem eu te conhecer, mas que você possa se conhecer e acreditar no que você está construindo, sabe?! Porque tipo, a gente tá aqui de passagem mano… você tem algo a cumprir, e eu duvido muito que seja algo que que você não goste, algo que você não sinta, tá ligado? Você tá aqui, você sente que tem uma missão, você quer fazer algo de bom, você quer fazer algo que a sua alma pede mano, acredita nisso, coloca sua fé nisso, se esforça mano, se esforça muito… é uma parada pra você, é uma parada que vai inspirar outras pessoas tá ligado, e a gente vai mudar o mundo dessa forma, inspirando pessoas, inspirando sonhos, então acredita em você, independente do que disseram, você é uma pessoa incrível, e você é capaz!”, frisou o jovem rapper, que segue inspirando e fazendo as pessoas acreditarem em si mesmas com sua música.

A “Onda Coreana” chega ao Brasil

por Bianca Barros

O korean pop, popularmente conhecido como k-pop, é um gênero musical que vem ganhando cada vez mais força ao redor do mundo. Originado na Coreia do Sul, ele existe há décadas, mas sua explosão em escala global começou a acontecer há pouco.

Um dos maiores exemplos disso é o grupo Bangtan Sonyeondan, ou simplesmente BTS. Os sete rapazes fizeram, no último fim de semana, seu primeiro show em um estádio dos Estados Unidos, com 40 mil ingressos vendidos. Nas últimas duas premiações da Billboard, venceram o prêmio de Top Social Artist, além de se apresentarem na edição deste ano do evento.

Juiz de Fora não fica imune à Hallyu — expressão que significa Onda Coreana, um neologismo referente à popularização mundial da cultura sul-coreana. Pelas ruas da cidade e pelo campus da UFJF, é possível identificar muitas pessoas usando camisetas, moletons ou acessórios com os nomes e símbolos de seus grupos preferidos.

Para Jhulia Caballero, estudante de Jornalismo e fã do gênero musical, tamanho sucesso se dá pela qualidade, “já que são treinados desde muito novos e de forma rígida”. Com isso, os idols, como são chamados os integrantes dos grupos de k-pop, dominam e se destacam em várias esferas: vocal, rap, dança e carisma.

Gabrielle Tenório, de 19 anos, acompanha seus grupos preferidos desde 2016, por meio das mídias sociais e do Youtube — assim como a maioria dos fãs. A estudante de Psicologia enxerga o k-pop como “uma alternativa para aqueles que não estavam mais satisfeitos com o pop mainstream, que é dominado pelos EUA”.

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O grupo Monsta X em seu show no Brasil, em agosto deste ano. (Foto: Reprodução)

Contudo, a música não é o único atrativo que a cultura sul-coreana oferece. A vestibulanda Fernanda Woycick conta que os doramas (novelas e séries coreanas) também a atraem, “assim como a culinária e costumes, bem diferentes dos do Ocidente”. Gabrielle, por sua vez, diz que começou a se interessar também pela língua coreana. “Aprendi, com o auxílio da internet, a ler o alfabeto deles (o hangul) e hoje em dia tenho muita vontade de fazer algum curso para realmente ser fluente”, explica.

Apesar disso, muitas pessoas ainda são resistentes ao k-pop e à Coreia do Sul como um todo, resultado da grande influência do Ocidente — principalmente dos Estados Unidos — no que diz respeito ao tipo de conteúdo que consumimos. Fernanda acredita que, para quebrar isso, é necessário que as produções sul-coreanas, assim como informações gerais sobre a cultura e o país, continuem sendo divulgadas. É preciso “desconstruir a ideia de que só as coisas que vêm dos EUA são as de alta qualidade e entender que todo canto do mundo tem algo legal para oferecer”, completa Jhulia.

Juiz de Fora e os teatros independentes

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Atrizes e atores do GTMG- Trilha e Cia

Por Caroline Crovato

Juiz de Fora foi considerada uma das cidades com maior número de teatros no Brasil, segundo o levantamento “Cultura em números”, realizado pelo Ministério da Cultura. Entretanto, alguns grupos de teatro da cidade, principalmente os menores, sempre ficaram distantes dos grandes espaços por questões que dificultam a ocupação, como o valor de aluguéis e carência de estruturas básicas. Entretanto isso já começa a ser mudado por aqueles que buscam alternativas em espaços menores e independentes.

O teatro agora não é encarado da mesma forma que antes: se antes existiam poucos lugares em Juiz de Fora com capacidade de comportar mais de 500 pessoas para apresentações teatrais, nos dias de hoje há um monte de espaços pequenos que não buscam somente por público de teatro, mas sim de diversas outras linguagens.

O “Espaço Compartilha”  é um exemplo de umas dessas “explosões” em Juiz de Fora. Localizado na Barão de Santa Helena, número 229, no Bairro Granbery, o espaço foi alugado há mais de 18 anos para abrigar o antigo “Empório da Arte” e ser, ao mesmo tempo, a sede da companhia. Somente em 2017 o Espaço Compartilha passou a existir como um local que preza pelas múltiplas linguagens ao reunir sala de ensaios, criação para teatro, danças – desde ballet artístico à dança de salão -, atelier de figurinos, exposições, apresentações de companhias e um aconchegante café para momentos de reflexão durante as atividades.

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Bárbara Heredia é atriz de um dos grupos de teatro que utilizam o Espaço Compartilha: o GTMG – Tralha e Cia, fundado em 1994. Bárbara, além de artista, também administra o espaço junto com Alexandre Guttierrez, diretor do GTMG. Ela explica que, atualmente, adotam no Espaço um formato bem parecido com o de coworking: nova forma de pensar o ambiente de trabalho que reúne pessoas de diferentes áreas a fim de trabalhar em um ambiente inspirador e autônomo. Bárbara ressalta que o local é aberto a aluguel de salas e escritórios, podendo receber um gama de eventos desde reunião com colegas a congressos, feiras e palestras. Por ser gerida por dois artistas do GTMG, tentam manter a casa mais conectada com estas formas de expressão deixando sempre vivo no espaço a mescla de linguagens, servindo de alternativa para aqueles que fazem o trabalho independente.

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Alguns outros espaços independentes em Juiz de Fora são a “Sala de Giz”, que também prezam pela expressividade do teatro, dança, cultura, performance e  da música. “OAndarDeBaixo” também é outro espaço que serve como palco do teatro, da música, de oficinas artísticas e até mesmo das artes visuais com sua pequena galeria.

Ao ser perguntada, enquanto uma integrante do grupo, sobre as dificuldades que os artistas encontram para achar lugares de ensaio e apresentação em Juiz de Fora, Bárbara reforça a necessidade de zelar pelo modo de vida que escolheram trabalhar e buscar que a atividade seja desenvolvida sempre da maneira mais consciente e responsável possível. “Precisamos nos fortalecer enquanto classe, e esta é uma ótima ferramenta para ganharmos sempre cada vez mais força. A dificuldade para encontrar locais ainda é uma realidade muito presente na nossa cidade, mas com a abertura de espaços independentes creio que vem surgindo boas saídas para amenizar esta questão”.

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Equipe GTMG

Dedicação exclusiva a entregas é alternativa para empresários do setor gastronômico

Por Raissa Segantini

Os últimos anos apresentaram um aumento no consumo de comidas e bebidas
via delivery. O economista Lucas Marques explica que “Os consumidores podem estar
buscando mais comodidade” e que há uma associação com a praticidade de pedir por
sites e aplicativos, cada vez mais famosos.

Fenômeno ainda mais recente é a chegada dos estabelecimentos que só
trabalham com delivery ou retirada no balcão. É o caso da Mega Pizza Quadrada, que
foi inaugurada em 2014 em Juiz de Fora. Criada por uma família de pizzaiolos
habituada à pizzaria em estilo salão, onde os clientes podem se sentar e comer, a ideia
de trabalhar somente com entregas surgiu como uma saída a alguns obstáculos.

Segundo a sócia Deborah de Andrade, abrindo um local somente de entregas, não teriam gastos com funcionários, alguns utensílios, aluguel de espaço e móveis, como reforça o economista. Ainda de acordo com ela, também não teriam gastos emocionais ao lidar, por exemplo, com alguns problemas que podem ser causados pelo fluxo intenso de clientes presencialmente. Portanto, por mais que não gere o maior lucro, este modelo se saiu como o ideal para os proprietários que precisavam economizar.

Deborah afirma que é vantajoso também para os clientes, pois na sociedade atual existe uma “sobrecarga de trabalho e poder comer no conforto de casa sem sair é bom demais”. Há clientes que encomendam a pizza assada e pegam ao sair do trabalho ou aqueles que solicitam o serviço de um motoboy.

Por outro lado, como destaca Lucas, “essas empresas podem ter mais gastos
exatamente com os serviços de entrega e também com plataformas para se realizarem
pedidos, como sites e aplicativos”. Deborah comprova que isso realmente ocorre na
pizzaria, pela porcentagem que os aplicativos parceiros – Ifood e Robin Food – cobram
por cada pedido.

Entretanto, o recorde de pedidos do estabelecimento chega mesmo por telefone.
O Ifood vem logo atrás no número de pedidos por telefones, quase a mesma
porcentagem, porém quando o cliente entra primeiro no site da pizzaria e é
redirecionado ao aplicativo, o parceiro não cobra sua porcentagem.

Além disso, também precisam investir em mídias digitais, panfletagem e
promoções em aplicativos de delivery e no site para chamar a atenção para o negócio,
visto que não é um local gastronômico convencional.

Neste link é notável o crescimento de serviços de delivery no Brasil e a movimentação financeira que isso gerou em 2018.

Juiz de Fora sai às ruas contra Bolsonaro

Por Raissa Segantini

Quem acompanha o desencadear das campanhas políticas para as eleições de 2018 no Brasil, sabe como é forte a luta popular a favor ou contra presidenciáveis e partidos. Não é diferente em relação ao movimento anti-Bolsonaro, que levou cidadãos, temendo a onda conservadora que parece se aproximar do país, a se unirem para evitar esse possível futuro.

É o caso do grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que surgiu no Facebook em setembro, promovendo a famosa hashtag #EleNão, e foi hackeado e censurado, levando inclusive a consequências físicas, já que uma das administradoras foi agredida (Terra-UOL) por defensores radicais do candidato.

A questão se intensificou e, no último sábado, 29 de setembro, atos contra o presidenciável – organizado por mulheres, mas com participação de toda a sociedade que simpatiza com a luta dessa e de outras minorias – partiram de vários municípios brasileiros. Neste link  (G1) há imagens de manifestações em algumas das 144 cidades envolvidas e também de mobilizações, por outro lado, em apoio ao candidato a presidência pelo PSL, que ocorreram no mesmo dia ou no dia seguinte, em 40 cidades.

Em Juiz de Fora as duas correntes foram às ruas durante o fim de semana. No evento de sábado, Todos e todas contra o fascismo, calculou-se uma média de 20 mil pessoas. A programação correu com tranquilidade. O vídeo abaixo traz imagens do dia e depoimentos de quem esteve por lá:

Galeria:

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A Moda Sustentável: nova maneira para economizar

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Por Caroline Crovato

Quando o assunto é economizar, a moda sustentável está entre uma das opções eficazes mas que, muitas vezes, não é lembrada ou é até mesmo interpretada erroneamente. Isabela de Magalhães é jornalista, designer de moda e em 2016 criou o blog “Moda sem Sacola” com a proposta de falar sobre conceitos da moda vinculado à sustentabilidade.  Em 2018, Isabela criou a revista online com o mesmo nome – idealizada no Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo -, reformulou o blog e criou um Instagram para levar a ideia da moda consciente para mais pessoas nos dois veículos.

Isabela explica a existência da crença de que a moda sustentável é cara, entretanto tal pensamento é um mito. A moda sustentável precisa ser positiva para o planeta e para todos os que estão envolvidos em seu ciclo: desde a produção da matéria prima até os consumidores. Para tal, ela deve ter um valor justo com quem produziu a peça ou produto, assim como um custo que atenda aos consumidores.

Além disso, a moda sustentável utiliza-se de diversos recursos diferentes do que já estamos acostumados. Eles surgem como oportunidades de economia ao utilizar de refugo têxtil (retalhos) para fabricação de outros produtos, evitando desperdício e a compra de novos panos. O tingimento natural também é uma opção: milhares de flores, buquês e arranjos de vários tipos de eventos, em sua maioria, são descartados e terminam no lixo. Porém, as tintas derivadas de flores, folhas, sementes e até serragem podem ser utilizadas para tingir roupas, artesanalmente, em casa, por qualquer pessoa.

Isabela ressalta a importância de desacelerar a moda já que, ao produzir e consumir em exagero, as pessoas gastam muito dinheiro com itens que realmente não precisam. Ao buscar a moda sustentável, busca-se uma moda consciente. “Ao descobri-la, nos tornamos mais responsáveis com o nosso consumo, não compramos por impulso, buscamos compreender e escolher melhor o que realmente gostamos e queremos usar. Assim, a moda consciente acaba se tornando também uma forma de economizar”, ela destaca.

Outra maneira de economia é buscando por brechós. As lojas que vendem produtos usados são boas alternativas de gastar menos dinheiro e comprar com qualidade: só basta saber onde procurar, “garimpar” com calma e encontrar tesouros escondidos.

A moda muitas vezes pode parecer cara, novos produtos são lançados a todo segundo, instigando o desejo de comprar, mesmo sem a verdadeira necessidade. Mas sempre que bater a vontade de tirar o dinheiro da carteira, é bom lembrar que o consumo consciente e as buscas por marcas que utilizam alternativas positivas para o ambiente – e para o seu bolso- estão aí para ajudar na sua economia diária.

 

A importância do movimento

por Bianca Barros

Não é segredo para ninguém que a realização de uma atividade física faz bem para o corpo em vários sentidos. Segundo uma pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2015, 37,5% dos brasileiros se envolveram com a prática de algum esporte pelo menos uma vez.

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) é um dos lugares da cidade que recebe, todos os dias, praticantes de algum tipo de exercício físico. O mais comum entre eles é a corrida. Pessoas de todas as idades podem ser vistas pelo campus, contornando o anel viário em suas roupas esportivas, muitas vezes com fones de ouvido, correndo em grupo ou sozinhas.

Juiz de Fora comporta, anualmente, uma vasta programação de corridas de rua, como a tradicional Corrida da Fogueira, ou a Corrida Duque de Caxias, que completou sua 31ª edição neste ano. O autônomo Murilo Rodrigues coleciona medalhas das mais diversas competições, já tendo alcançado a marca de 32 participações em corridas de rua. Praticante do esporte há cinco anos, ele relata que gosta de correr sozinho, apesar de conhecer alguns grupos de corrida da cidade.

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Quadro de medalhas do atleta Murilo Rodrigues. (Foto: Acervo pessoal)

Os motivos pelos quais se inicia a prática de tal atividade física são diversos, variando de pessoa para pessoa. Murilo conta que sempre gostou de se mexer e, no passado, jogava futebol, mas devido a uma lesão não pôde mais se dedicar ao esporte. “Eu sabia que existiam corridas de rua na cidade, então me inscrevi uma vez e gostei. De lá para cá, não parei mais”, relata.

Bárbara Silva, por sua vez, começou a correr em sua época de vestibulanda. O exercício funcionava como uma válvula de escape para controlar a ansiedade, fruto de todas as preocupações com o ainda incerto futuro. Hoje, a estudante de Biologia mantém o bom hábito, correndo na própria Universidade sempre que possível. “Quando tinha 19 anos, participei da corrida Speed of Sound, ficando em primeiro lugar na minha categoria nos 10 quilômetros”, ela relembra.

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Bárbara Silva no pódio da Speed of Sound. (Foto: Rumo Certo)

Ambos concordam que a corrida trouxe mudanças significativas em suas vidas. “O corpo fica mais saudável, você não se cansa fácil. E psicologicamente, nem se fala!”, Murilo aponta, explicando que a atividade física o faz esquecer dos problemas. Bárbara conta que, além do condicionamento físico, seus sentimentos positivos também aumentaram, assim como sua autoestima.

Murilo, que já chegou a participar até mesmo de uma São Silvestre, uma das corridas mais tradicionais do país, com 15 quilômetros de percurso, indica a todos a prática do esporte. “A corrida [São Silvestre] é indescritível. 30 mil pessoas, você faz amizade com gente do Brasil e do mundo inteiro”, diz.

O calendário de corridas de rua de Juiz de Fora ainda promete mais duas competições para o ano de 2018, a 6ª Corrida Solidária da ASCOMCER, no dia 21 de outubro, e a 4º Tecnobit Night Run, que acontece na noite de 24 de novembro.

E você, vai ficar parado?

O encanto dos Coros – Festcoros 2018

 Por Letícia Nunes

O maior evento da música coral no Brasil aconteceu no último fim de semana aqui em Juiz de Fora – MG: Festival Internacional de Coros. Como o próprio nome diz, conta com a participação de grupos de coros do país e do mundo, ao todo mais de 50 apresentações dos 17 grupos participantes e mais de 20 mil pessoas encantadas com os concertos. O evento está em sua vigésima quarta edição e ele acontece todo ano no mês de setembro na cidade.

 

Realizado durante uma semana, conta com várias apresentações em diversas cidades da região, como Lima Duarte, Leopoldina, Guarani, Argirita, Maripá de Minas, Chácara, Coronel Pacheco e Rio Novo. Não somente em teatros, as apresentações acontecem também em igrejas, universidades, escolas, shoppings e centros comerciais. Os concertos de abertura e encerramento acontecem no Cine-Theatro Central em Juiz de Fora.

O Coro Acadêmico da UFJF foi um dos grupos que marcou presença no festival e se apresenta pelo quarto ano consecutivo. O grupo realizou duas apresentações, a de sexta-feira (28) foi na Igreja do Rosário, onde cantaram uma música autoral do seu maestro e professor Willsterman Sottani, a segunda aconteceu no sábado (29) no Cine Theatro Central com direito à percussão corporal.

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Willsterman contou a importância da participação de seus alunos em um festival tão grande. Segundo ele, “a experiência e a técnica de palco é muito importante para os estudantes”. O maestro explicou também em quais aspectos essa experiência proporciona evolução para o grupo: “Espacialização, presença e confronto”. A primeira se refere ao posicionamento em um palco; a segunda à concentração durante a apresentação em um lugar tão importante e com tantos espectadores; e por último, ele se refere à iluminação do palco, pois a iluminação vem de frente, o que pode dificultar a leitura da partitura.

 

 

Força de vontade e muita disposição: os segredos do DJ Morango

Por Allan Santana

De ajudante de montagem de som e barman, ao reconhecimento de DJ mais famoso da região. Essa é parte da história de Leandro Paiva, o DJ Morango, que completou, em janeiro, 26 anos de profissão. Atualmente, além de comandar as tardes da Alô FM de segunda a sexta, ele faz em média três shows por semana. No carnaval, o ritmo é ainda mais intenso: três shows por noite. Mas nem sempre foi assim…

Para se aproximar dos DJ’S, ele e mais dois amigos ficavam responsáveis por carregarem as caixas de som de uma equipe que tinha no bairro São Bernardo. Foi prestando atenção em cada detalhe, que Leandro Paiva aprendeu sobre montagem do som, equalização e ajuste do alto-falante. Com o tempo, o som e, principalmente, o grave já tinham o conquistado.

Acostumado desde cedo a ganhar sua grana, ele viu na antiga casa de shows Dreams, que ficava na Avenida Rio Branco, uma oportunidade de trabalho. Atualmente, no local funciona a academia Black Fitness. Foi ralando de barman, que ele se aproximou ainda mais da música e herdou o apelido, que é sua marca até hoje. “Tudo que eu fazia no bar, tinha que ter morango. Drink, pegar mais frutas no depósito, sobremesas…”

Na Dreams, Morango assumia o lugar do DJ enquanto ele precisava ir ao banheiro. Na época do vinil, era preciso que alguém estivesse no som a todo momento, para fazer as mixagens. Foram nos atrasos e faltas do DJ, que Leandro ia ganhando espaço até conseguir ser folguista. Nessa época, tocava música lenta e chegou a se apresentar para praticamente ninguém. Ainda assim, ele diz que “se amarrava e que é o lugar que mais sente saudade.”

A maior dificuldade no início da carreira foi adquirir os equipamentos e contava com a ajuda de amigos para fazer o som. “Na época era tudo vinil, então você tinha que ter uma grana pra comprar o vinil. Lançou a música, não tinha como baixar ela na internet, sacou?!”

equipamentosAntes dependendo material de amigos pra fazer seu som, ele conta hoje com um dos mais modernos aparelhos de mixagem (Foto: Allan Santana)

No mesmo período, teve uma oportunidade de trabalhar na rádio Atividade, como operador de áudio, além de fazer serviço de banco. Depois, ganhou oportunidade na rádio Cidade, ficando por cerca de treze anos. Nela, seu nome foi amplamente divulgado, e consequentemente, teve uma maior visibilidade para tocar em shows e eventos. Ele atribui seu sucesso ao trabalho na rádio.

Morango já tocou para mais de trinta mil pessoas, na Festa Country de Juiz de Fora. Na edição que teve a presença de Ivete Sangalo, em 2007 e na despedida do grupo Exaltasamba, quatro anos depois. Acostumado a tocar na presença de amigos, ele precisava de um lugar pra servir como um termômetro, para saber se realmente estava indo bem. A oportunidade surgiu após um convite inesperado e em cima da hora, para tocar num camarote do Rio Axé. “A galera pulou, dançou, cantou todas as músicas, daí tive a certeza que estava agradando.”

morangoDJ Morango é presença garantida nas principais festas de JF (Foto: Allan Santana)

Com tantos compromissos, é preciso de bastante organização, mas nem sempre foi dessa forma. Em uma de suas viagens, no início da carreira, ele esqueceu todo seu material em Juiz de Fora. Teve que recorrer aos amigos DJ’s que estavam na festa, para pegar emprestado alguns CD’s. “Deu pra enrolar, mas não foi um show igual eu fazia com as minhas músicas, minhas versões, abertura, vinheta…” – conta rindo, apesar de confessar que chegou a ficar com dor de barriga no dia.

Durante a entrevista, ele revelou dois sonhos: tocar num baile funk grande no Rio, como os que acontecem nas comunidades dos morros da Mangueira e do Mandela e de ter uma biografia. O que não vão faltar são boas histórias desse DJ que caiu nas graças de JF e região!