Aula de defesa pessoal atrai mulheres

Por Raissa Segantini

O número de denúncias de violência contra a mulher aumentaram nos últimos anos e, além disso, elas vêm se tornando cada vez mais independentes, deixando de lado a premissa de que precisam ser defendidas por homens. Isso é algo notável para a sociedade, o que confirma a Instrutora de hapkido Karina Reis, que dá aulas de defesa pessoal e observa o crescimento de procuras pelo aprendizado.

As buscas não são em vão, aliás, as aulas tem como público-alvo mulheres que se sentem sexualmente, fisicamente ou emocionalmente ameaçadas ou já foram vítimas de alguma agressão. De acordo com Karina, “em relação ao emocional, melhora a capacidade de decisão, resistência à frustração, perseverança e outros valores e princípios que aumentem o sentimento de segurança”. Ela ainda acrescenta: “Força física é o que menos importa na defesa pessoal.”

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A instrutora, filiada à Federação Mineira de Hapkido, não impõe um número de aulas, mas considera que o ideal é a prática contínua, levando à efetivação das técnicas. As suas aulas são articuladas respeitando as características do local onde as aplica, já que não é agregada a nenhuma academia, dando apenas aulas particulares, em eventos ou em projetos sociais.

As aulas como projetos sociais são cada vez mais requisitadas e já se tem planos para mais aplicações, visando o futuro político-social brasileiro. Foi o caso das aulas coletivas ministradas por Karina no “Movimento Mulheres em Luta”, pensadas inicialmente nas trabalhadoras das periferias, mas recebendo, principalmente, universitárias, de acordo com a integrante Laiane Araújo, que também esteve na organização da programação e participou como aluna. Elas ocorreram gratuitamente todos os domingos durante três meses em 2015 e as inscrições acabaram rápido, tendo em menos de duas horas, mais de 60 inscrições.

A atividade surgiu como protesto à recusa da Câmara de Vereadores de Juiz de Fora a um abaixo-assinado pedindo a reabertura da Casa Abrigo, o funcionamento 24h da Delegacia de Mulheres e respostas sobre a agressão que uma mulher sofreu dentro da delegacia, partindo de um policial civil, segundo Laiane. Entretanto os motivos eram imensuráveis, ela afirma: “Serve para proteger a nós mesmas, namoradas, amigas, mães ou qualquer pessoa que já passou por um trauma”.

“Acabava virando um espaço que ia muito além de questão física, tornava-se um grupo de apoio emocional, quando cada participante dizia o porquê de estar iniciando as aulas. Isso gerou aproximações e relações saudáveis”, de acordo com a entrevistada, Laiane. Agora, ela tem a certeza de que, havendo necessidade, “todas as mulheres que participaram já têm condições de se defender”.

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